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SOCIEDADE

Deslocados de Cabo Delgado denunciam tribalismo no bairro de Namicopo

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Deslocados internos de Cabo Delgado, acolhidos há cerca de cinco anos na zona de Mutava Rex, em Nahene 1 (bairro de Namicopo, cidade de Nampula), denunciam estar a ser vítimas de discriminação, hostilidade e tribalismo por parte de alguns residentes locais.

O alerta foi lançado por Nasser Quibuane Jabir, chefe do Quarteirão 21 e representante dos deslocados na área. Segundo ele, o ambiente que deveria ser um refúgio tornou-se um espaço de exclusão e desrespeito. “Destruíram a minha banca, o meu quintal. Roubaram painéis solares. O que eles querem é nos expulsar. O que estão a fazer é tribalismo”, afirmou ao Jornal Rigor.

De acordo com relatos recolhidos pela nossa equipa de reportagem, muitos deslocados têm sido insultados e pressionados a regressar às suas zonas de origem. “Eles dizem: ‘deslocados, voltem às vossas terras, a guerra já acabou’. Nós não nos sentimos bem. Em Cabo Delgado também vivem pessoas de outras províncias. E se lá fizéssemos o mesmo? Isso é tribalismo. Escolher raça, tribo… Não pode ser. Isto é Moçambique. Queremos viver bem”, lamenta o chefe do quarteirão.

Anica Abdula, deslocada residente desde 2020, reforça: “Às vezes os vizinhos dizem para irmos embora. Falam até que vão trazer um carro para nos levar de volta. Dizem que não gostam de nós, que não somos pessoas. Estamos aqui só por estar.”

Um outro deslocado, que preferiu o anonimato, contou que embora nunca tenha sido insultado diretamente, o filho foi verbalmente atacado por vizinhos, apenas por ser natural de Cabo Delgado.

Contudo, há moradores locais que rejeitam categoricamente as acusações. “Isso não é verdade. Aqui não vejo esse tipo de comportamento”, garantiu Momade Júlio, residente da zona. Já Regina Molide, também natural de Nampula, reconhece tensões, mas diz que os conflitos têm mais a ver com disputas por água: “Houve um tempo em que, por causa da escassez, os deslocados organizavam-se entre eles e não nos deixavam tirar água do poço.”

Sualehe Caetano, deslocado de Cabo Delgado, tem outra leitura: “Na minha parte, nunca tive problemas com os macuas. Vivemos bem. Mas há casos de conflito por causa de terrenos. Um conterrâneo nosso proibiu a venda de parcelas, e isso criou confusão. Nem todos estão em conflito com os residentes locais. Dizer que há tribalismo generalizado é mentira.”

Apesar da controvérsia, o chefe do quarteirão deixa um apelo urgente ao Governo: “Peço que o Estado intervenha e resolva esta situação antes que piore. Vai chegar um momento em que os deslocados vão reagir da sua maneira. Pode haver guerra.” Vânia Jacinto

 

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