SOCIEDADE
Descrédito das FADM em Cabo Delgado pode fragilizar combate à insurgência, alerta Régulo
O analista político e social Maurício Régulo considera que a crescente desconfiança da população de Cabo Delgado em relação às Forças de Defesa e Segurança de Moçambique (FADM) representa um risco sério para o sucesso das operações militares contra a insurgência, podendo enfraquecer ainda mais a imagem e a legitimidade do Estado no terreno.
“Esse fenómeno era previsível pelas seguintes razões: a população perdeu confiança nas instituições do Estado devido à falta de esclarecimento sobre o que realmente está a acontecer no norte de Cabo Delgado. Existe um sentimento de que as nossas forças de defesa e segurança são inoperantes”, afirmou.
Régulo recordou episódios que, segundo ele, mancharam a reputação das FADM, como a divulgação de imagens, no início da insurgência, em que soldados disparavam contra uma mulher indefesa acompanhada da filha. “Igualmente, há relatos que apontam violações de direitos humanos contra a população e saques de bens. Aparentemente, esses factos podem parecer pequenos, mas a repercussão no seio da população é muito grande”, disse.
O analista sublinhou que, se esse distanciamento não for revertido, “há risco de maior afastamento da população em relação às FADM, o que pode levar os cidadãos a preferirem as tropas estrangeiras em detrimento das nacionais”. Esse cenário, frisou, acabaria por fragilizar a confiança no Estado moçambicano e comprometer os resultados do combate à violência armada.
Outro ponto crítico apontado por Régulo é o desequilíbrio no desempenho militar. “Se reparar, quando se fala de ataques a bases militares, a referência é quase sempre às FADM e não às unidades dos militares ruandeses. Isso reforça a percepção de que as nossas tropas são incapazes”, destacou.
Como apelo, Régulo defendeu a necessidade urgente de uma mudança de postura. “Em contextos de guerra é necessário respeitar a pessoa humana, independentemente do lado em que se encontra. Isso cria um ambiente de confiança entre soldados e população, fundamental para a vitória no terreno”, concluiu. Vânia Jacinto
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