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Crentes da Paróquia Santa Maria denunciam contribuições excessivas, mas pároco esclarece que são voluntárias

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Fiéis da Paróquia Santa Maria, na Arquidiocese de Nampula, manifestaram preocupação com o que consideram “contribuições intermináveis” exigidas para sacramentos e projectos paroquiais. As taxas apontadas incluem 200 meticais para baptismo e crisma, 250 meticais para certificados e até 2.000 meticais para casamentos, a que se somam contribuições para a compra de uma viatura e a construção de uma nova igreja.

Alguns crentes ouvidos pelo Rigor afirmaram sentir-se sobrecarregados e consideram que estas exigências fragilizam a relação de confiança com a Igreja. “Há tantas contribuições. O casamento custa 2.000 meticais e isso torna-se pesado para as famílias”, lamentou um paroquiano.

Pároco fala em continuidade de projectos

Confrontado com as críticas, o pároco Padre Devanil Ferreira, dos Missionários Oblatos de São José, esclareceu que as contribuições não são obrigatórias, mas fazem parte de um projecto comunitário herdado do seu antecessor. “Não viemos inventar a roda, viemos fazê-la rodar mais rápido. A campanha da viatura já existia. Todos os fiéis estão convidados a contribuir, mas ninguém é forçado. É uma vez na vida, não todos os meses nem todos os anos”, explicou.

O sacerdote lembrou que, em mais de 50 anos de existência, a Paróquia Santa Maria nunca teve uma viatura própria, dependendo sempre dos missionários. O objectivo actual é reunir cerca de 1,2 milhão de meticais para comprar um carro destinado aos trabalhos pastorais.

Novos projectos em curso

Além da viatura, o pároco anunciou o arranque de um furo de água para reduzir a dependência do FIPAG e o início do processo de construção de uma nova igreja paroquial moderna e mais ampla. Só o furo de água representa um investimento de cerca de 400 mil meticais, totalmente suportado pelas contribuições dos fiéis.

“Estes projectos não são meus nem do padre anterior, são da comunidade. O nosso papel é animar, coordenar e zelar pelo património da igreja. A parte espiritual continua a ser a nossa prioridade, mas também temos de responder às necessidades materiais”, frisou Padre Ferreira.

Há também denúncias de que o pároco Devanil Ferreira, estaria a introduzir práticas inéditas na Paróquia Santa Maria, como a alegada obrigatoriedade de todos os baptizados terem nomes bíblicos. Confrontado sobre o assunto, o sacerdote negou a acusação e explicou que os sacramentos recentemente cancelados devem-se à falta de preparação adequada dos crentes.

Segundo afirmou, as críticas partem de pessoas que “não são verdadeiros fiéis” e que apenas procuram manchar o bom nome da Igreja em Nampula.

Reacções divergentes entre crentes

Apesar do esclarecimento, parte dos fiéis mantém reservas quanto ao modelo de financiamento e pede maior transparência. “O peso das contribuições está a afastar alguns paroquianos e precisa haver diálogo”, afirmou um membro da comunidade.

Já o pároco foi firme em relação às críticas: “Quem recusa contribuir deve repensar a sua fé. A comunidade precisa assumir que a paróquia é dela. O padre não vem com o bolso cheio de dinheiro, vem com ideias e com a missão espiritual.”

A situação continua a dividir opiniões dentro da Paróquia Santa Maria, entre os que defendem a necessidade de investir no património paroquial e os que consideram as contribuições uma sobrecarga para as famílias. Redacção

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2 Comments

2 Comments

  1. Abel Ermelindo

    Outubro 8, 2025 at 5:30 pm

    É hora do povo levantar, isso acontece um pouco por tuda diocese de nampula, sobre tudo na região pastoral da cidade que é composto por 9 paróquia.
    Caso concreto é na paróquia Santa Isabel, as taxas de batismo e crisma custam 250 e do matrimônio custa 2500.
    Com obrigação de criar processo individual fotografia tipo passe entre outros requisitos que não sei por qual é necessário.
    Os aniversariantes são obrigados a levar dinheiro pra pagar ao padre para fins de benção no dia do seu aniversário. Dizendo que ele é ungido e escolhido por isso não pode trabalhar mahala.Rigor, se poder nos visite 872188660

  2. Domingos Castelo César

    Outubro 9, 2025 at 6:14 am

    Na verdade isto não é só na paróquia de Santa Maria de Nampula.

    Até posso deixar de lado as contribuições para a construção de uma nova igreja moderna, compra de carro, abertura do furo de água. Mas o pagamento de baptismo, pagamento de casamentos, pagamento crisma são mesmo programas desenhadas pela comunidade ou pelos que dirigem a paróquia?

    As padres em algumas contribuições não podem fugir com seringa no rabo. São eles sim que estabelecem determinadas contribuições.

    Jesus foi baptizado e não pagou nada. Se estamos a seguir o exemplo de Jesus, porque temos que pagar estes sacramentos uma vez que Jesus fez muitos milagres no custo zero?

    Eu conheço uma comunidade que até catequese é pago por 50 meticais. No princípio diziam que os 50 meticais era para todo ano em actividades dos catecúmenos, seja para compra de livros de catequese, cermonias no final do ano e outras, mas o que se vem é que quanto chega final do ano para cermonias de uma etapa para outra devem ser comprados de novo. E quando são filhos daqueles responsáveis não pagam nada.

    A igreja Católica a qual me ensinou a fazer o bem hoje em dia está a perder qualidade por causa destas contribuições.

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