ECONOMIA
Crateras na Avenida do Trabalho ameaçam cortar a N1 em Nampula
Várias crateras abriram-se ao longo da Avenida do Trabalho, num troço que integra a Estrada Nacional Número Um (N1), ameaçando condicionar seriamente a circulação naquela que é a principal via do país. As aberturas no pavimento, concentradas sobretudo entre a farmácia Canane, junto às bombas da Total, e a área em frente ao antigo edifício do INSS, resultam de uma fuga numa manilha subterrânea, colocando em risco automobilistas e passageiros que usam a avenida diariamente.
Os utentes relatam momentos de tensão e medo de que o pavimento possa ceder a qualquer momento. Manuel Luís, moto-táxista que passa diariamente pelo local, explicou que a situação, já preocupante após as primeiras chuvas, tornou-se extremamente perigosa com a precipitação que se registou ontem na cidade.
“Isto é um perigo mortal. Quem passa aqui corre risco de vida. Se um carro cair num desses buracos, pode ocorrer um acidente grave, porque os buracos estão a abrir por baixo e podem engolir um veículo”, afirmou.
Albertina Mussa, munícipe que utiliza regularmente a avenida, acrescentou que o problema tende a agravar-se com a passagem de viaturas pesadas.
“É possível ver claramente que o chão está a ceder pouco a pouco. Cada vez que passa um carro grande, aumenta. Seria bom que o município arranjasse este assunto”, disse.
O motorista de chapa 100, João Ussene, reforçou a preocupação e alertou para o risco de isolamento caso não haja uma intervenção urgente.
“Eu passo aqui todos os dias com passageiros e conheço bem esta rota. Mas hoje vi que a situação está pior. Tem uma cratera perto da farmácia e outra perto do INSS. Seria bom que o município interviesse. Esta via é fundamental para toda a cidade. Se continuar assim, vamos ficar totalmente isolados. Precisamos de uma intervenção urgente”, apelou.
A Empresa Municipal de Saneamento de Nampula (EMUSANA) já se deslocou ao local para efectuar a sinalização de emergência. O engenheiro Reinaldo Pinto, que liderava a missão, explicou que a situação envolve vários pontos com erosão associada a uma fuga no colector principal de águas.

Engenheiro Reinaldo Pinto
“Estamos a tentar sinalizar esta fuga que provocou erosão no meio da estrada. Constatámos que há uma fuga no colector principal e não é só neste ponto; há vários trechos onde a água escorre por baixo do pavimento. Esta estrada é nacional, passa pela cidade, e por isso estamos em contacto com a ANE para encontrar uma solução antes que a erosão se agrave. Os colectores têm mais de 20 ou 30 anos e já exigem manutenção. Se não houver intervenção urgente, há risco de cortar ou fechar a estrada”, explicou.
Reinaldo Pinto sublinhou ainda que a resolução do problema depende de coordenação entre o município e a ANE.
“A responsabilidade é partilhada. A EMUSANA está em contacto com a ANE para encontrar uma solução antes que o problema se agrave. Não podemos agir sem autorização, mas estamos em conversações para resolver esta situação em conjunto”, concluiu. Vania Jacinto
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