POLÍTICA
CPJ apela à investigação credível após disparos contra jornalista Carlitos Cadangue em Manica
O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) apelou, nesta sexta-feira (06), às autoridades moçambicanas para que realizem uma investigação credível e célere ao tiroteio que visou o jornalista Carlitos Cadangue e o seu filho, ocorrido no dia 4 de Fevereiro, na província de Manica, e descrito pelo profissional como uma tentativa de assassinato relacionada com o seu trabalho jornalístico.
Em comunicado divulgado a partir de Nova Iorque, a organização internacional manifestou preocupação com a segurança dos profissionais de comunicação social no país, defendendo uma resposta firme do Estado para garantir a responsabilização dos autores e prevenir novos ataques.
“O ataque contra Carlitos Cadangue e o seu filho é um lembrete assustador de que Moçambique está a tornar-se cada vez mais inseguro para jornalistas”, afirmou Muthoki Mumo, coordenadora do Programa para África do CPJ. A responsável acrescentou que, embora ambos tenham sobrevivido sem ferimentos físicos, é necessária uma acção urgente das autoridades para investigar o caso, incluindo qualquer eventual envolvimento de agentes policiais.
Segundo o CPJ, Cadangue conduzia o seu filho de 19 anos para casa quando uma viatura pick-up preta bloqueou a estrada e dois homens encapuzados, trajando o que aparentavam ser uniformes policiais, dispararam vários tiros contra o carro do jornalista. As vítimas terão conseguido escapar após se abaixarem dentro da viatura, enquanto os atacantes abandonaram o local.
O Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA Moçambique) condenou o incidente, classificando-o como uma tentativa de assassinato, e apelou igualmente ao reforço das garantias de segurança para os profissionais da comunicação social.
De acordo com o CPJ, o ataque ocorreu poucas horas depois da exibição de uma reportagem de Cadangue sobre a morte de 11 garimpeiros ilegais num deslizamento de terra, parte de uma série de investigações transmitidas pela televisão privada STV sobre o impacto da mineração em Manica.
A organização voltou a defender o fim da impunidade em casos de violência contra jornalistas em Moçambique, citando episódios anteriores, como o assassinato do blogueiro Albino Sibia, conhecido como Mano Shottas, em 2024, bem como os desaparecimentos de Arlindo Chissale, em 2025, e de Ibraimo Mbaruco, em 2020.
Contactado pelo CPJ, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), Hilário Lole, afirmou que uma investigação está em curso e que o público será informado assim que houver desenvolvimentos. Redacção
-
SOCIEDADE4 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
DESPORTO1 ano atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA8 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA9 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
