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SOCIEDADE

Comandante exige ruptura com imagem violenta da PRM em Nampula

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O Comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula, João Mário Mupuela, apelou este sábado (17 de Maio de 2025), a uma profunda introspecção e reforma interna da corporação, no quadro das celebrações dos 50 anos da sua criação. Para o dirigente, este marco histórico deve servir como ponto de viragem para “lapidar a imagem da polícia” e reconquistar a confiança dos cidadãos, muitas vezes abalada por excessos, abusos e violência contra manifestantes.

“Esta efeméride é uma oportunidade para fazermos uma avaliação crítica da nossa actuação, reconhecermos erros e delinearmos estratégias para uma polícia mais ética, disciplinada e próxima da comunidade”, declarou Mupuela, perante oficiais e agentes reunidos na capital provincial.

O apelo surge numa altura em que a PRM em Nampula tem sido duramente criticada por organizações da sociedade civil e activistas, devido à repressão violenta de manifestações pacíficas, como a ocorrida na semana passada, em que um activista foi agredido em plena via pública. Apesar disso, Mupuela reiterou que a corporação pode e deve mudar: “Nenhum membro da PRM pode exigir disciplina sem ele mesmo ser exemplo de respeito pelas normas.”

O comandante defendeu que a autoridade da polícia deve assentar em ética, probidade e cortesia, rejeitando comportamentos que alimentam a imagem da PRM como rosto visível da brutalidade e da impunidade. “A ligação com a comunidade é fundamental. Só com confiança mútua é possível construir uma força policial verdadeiramente ao serviço do povo”, destacou.

No seu discurso, João Mário Mupuela reafirmou o compromisso de garantir a ordem pública com honra, integridade e profissionalismo, sublinhando que o futuro da corporação depende da formação contínua, do investimento em capacidades operacionais e da colaboração com os cidadãos. “Queremos ser uma força essencial para a paz, segurança e o desenvolvimento da nossa província”, afirmou.

Na ocasião, foram divulgados dados operacionais que indicam 407 casos criminais registados entre Maio de 2024 e Abril de 2025, com uma taxa de esclarecimento de 93,8%. Em relação à sinistralidade rodoviária, registaram-se 38 acidentes com 53 mortes, uma ligeira redução face ao período anterior, mas que o comandante considera ainda “inaceitável”.

Mupuela também prestou homenagem aos agentes que actuaram em situações de desordem pública e desinformação sobre a cólera, destacando o profissionalismo demonstrado em contextos de risco elevado. “Honramos todos aqueles que foram sacrificados nesta honrosa missão de garantir a ordem pública.”

O comandante terminou com um apelo directo: “Reiteramos a necessidade de colaboração ininterrupta entre a polícia e a comunidade. Com essas sinergias, edificaremos uma Nampula mais segura, justa e imbuída de paz duradoura.” Vânia Jacinto

 

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