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ECONOMIA

Assalto em Mogovolas envolvendo cinco agentes da PRM podia render mais de 800 milhões de meticais

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Tribunal Judicial de Nampula confirma detenção de membros da PRM, desmentindo versão inicial da polícia

A segunda parte da investigação publicada em primeira mão pelo Jornal Rigor revela novos dados sobre o assalto ocorrido no passado dia 5 de Julho, no distrito de Mogovolas, envolvendo agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM).

Embora inicialmente a corporação, através da sua porta-voz Rosa Chauque, tenha negado qualquer conhecimento do caso, o Tribunal Judicial de Nampula confirmou oficialmente a detenção de cinco agentes afectos ao comando distrital da PRM em Mogovolas. Sem especificar os cargos dos detidos, o tribunal limitou-se a informar que pertencem a diferentes subunidades da corporação. No entanto, o Jornal Rigor apurou que entre os envolvidos estão o comandante distrital da PRM em Mogovolas, o seu chefe de Operações e mais três agentes, num caso que choca pela gravidade dos factos.

O assalto em causa foi executado por um grupo de oito indivíduos armados, que atacaram um empresário e apoderaram-se de 56 quilogramas de ouro, 900 gramas de pedra Paraíba, telemóveis e outros bens de menor valor. Embora o tribunal, com base no princípio da presunção de inocência, não tenha assumido o envolvimento directo dos agentes da polícia, confirmou que os mesmos se encontravam detidos e foram libertos na última sexta-feira, por não representarem, segundo os juízes, perigo de fuga ou risco de perturbação das investigações em curso.

Segundo estimativas baseadas nos preços mais baixos do mercado internacional, os 56 kg de ouro, avaliados a cerca de 107,8 dólares norte-americanos por grama, representam um valor de aproximadamente 6.036.800 dólares, o equivalente a 386 milhões de meticais. Já as 900 gramas de pedra Paraíba, com um preço mínimo de 7.500 dólares por grama, valem cerca de 6.750.000 dólares, o que corresponde a 432 milhões de meticais. Somando estes dois montantes, o assalto teria rendido mais de 800 milhões de meticais, colocando-o entre os mais graves e lucrativos alguma vez registados com alegado envolvimento de membros das forças de defesa e segurança.

Victor Vilanculos, porta-voz do Tribunal Judicial de Nampula, esclareceu esta sexta-feira (11) que a conferência de imprensa foi convocada por iniciativa do próprio tribunal, com o objectivo de prestar esclarecimentos sobre o caso da detenção de agentes da polícia, na sequência da elevada procura de informações por parte da imprensa e da opinião pública. “O tribunal tomou a iniciativa de convocar esta conferência de imprensa em nome dos jornalistas, para partilhar informações sobre o que está a acontecer. Por essa razão, decidimos convidar os órgãos de comunicação social e toda a sociedade para esclarecer o que se passa, — ou, pelo menos, transmitir as informações que, neste momento, podem ser partilhadas pelo tribunal, tendo em conta que o processo ainda se encontra na fase de instrução. Aquilo que foi noticiado corresponde, em parte, à verdade. De facto, ocorreu um assalto no passado dia 5 deste mês, em Mogovolas”, começou

Victor Vilanculos, porta-voz do Tribunal Judicial de Nampula, durante a conferência de imprensa convocada para esclarecer a detenção de agentes da PRM no assalto armado ocorrido em Mogovolas.

Vilanculos revelou que foram encontrados cartões de identificação de membros da PRM dentro das viaturas utilizadas no assalto, e que os indiciados pertencem a diferentes níveis da corporação, incluindo um agente do SERNIC. Para além dos agentes das forças de segurança, o processo envolve também cidadãos civis, mas, segundo o tribunal, os indícios ainda são considerados frágeis.

“A questão é que estes agentes da polícia foram indiciados neste processo porque os assaltantes identificaram-se como tal e houve uma perseguição também realizada pela polícia. Dentro de uma das viaturas, foram encontrados cartões de identificação de alguns membros da polícia. Mas como se sabe, o processo ainda é prematuro”, declarou o magistrado.

Sobre as medidas aplicadas, o porta-voz do tribunal explicou que alguns dos indiciados foram ouvidos no dia 10 de Julho e beneficiaram de Termo de Identidade e Residência, sendo libertados por falta de elementos suficientemente robustos que justificassem a sua detenção preventiva. “Pode ser que o tribunal tenha entendido que, até aquele momento, os elementos sejam tão frágeis que não justificam que os mesmos respondam sob custódia”, acrescentou.

Questionado sobre o impacto que o envolvimento de agentes da lei e ordem tem na confiança pública, Vilanculos foi claro: “Isso choca qualquer cidadão. Basta ser cidadão e ficar com a informação de que há agente de segurança envolvido num crime para ficar assustado. Isso não deixa também de indignar o tribunal, a mim como pessoal, a mim como juiz, e creio que também a todos vocês”.

Quando confrontado directamente sobre a detenção do comandante da polícia em Mogovolas, o tribunal recusou-se a confirmar nomes, invocando a presunção de inocência e a sensibilidade do processo investigativo. Contudo, Vilanculos reiterou que, seja quem for o autor do crime, será responsabilizado nos termos da lei.

Segundo investigações do Jornal Rigor, este grupo operava com um modus operandi bem definido e é apontado como o principal responsável pelo clima de insegurança que se instalou no distrito de Mogovolas desde Setembro de 2024, período em que começaram a surgir sucessivos assaltos, homicídios e saques, inicialmente aproveitando-se do ambiente de desinformação gerado pela eclosão do surto de cólera e, mais tarde, dos conflitos eleitorais que agravaram a instabilidade local. Redacção

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