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POLÍTICA

Agricultores de Nampula queixam-se aos deputados da falta de apoio à produção agrícola

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A Comissão de Agricultura, Economia e Ambiente da Assembleia da República, que na última semana trabalhou em seis dos 23 distritos da província, constatou que, apesar do vasto potencial agrícola, Nampula enfrenta sérios entraves que comprometem a produtividade e a segurança alimentar.

Durante a visita, os parlamentares ouviram agricultores que denunciaram a escassez de insumos, a falta de ração para a criação de alvinos e as más condições das estradas, que dificultam o escoamento da produção.

“Se não houver insumos agrários de qualidade, não haverá produção. E sem produção, o nível de desnutrição tende a aumentar. Essa é uma preocupação séria que o Governo deve assumir como prioridade nacional”, advertiu o deputado Filipe Mabamo, lembrando que 74% da população economicamente activa depende da agricultura.

O deputado acrescentou que muitos produtores chegam a atravessar fronteiras para adquirir sementes de qualidade, como no caso do repolho, o que demonstra que a produção nacional ainda não responde às necessidades do sector. “O sector agrário deve ocupar um lugar central na agenda de desenvolvimento do país. É preciso criar condições para que os agricultores possam produzir com dignidade”, frisou.

Perante este cenário, a comissão recomendou ao Governo investimentos urgentes na disponibilização de insumos de qualidade, na melhoria das vias de acesso rural e no reforço da assistência técnica aos produtores. “O nosso trabalho é ouvir os agricultores, perceber os seus problemas e transformá-los em recomendações claras para que sejam resolvidos. Nampula tem tudo para ser um motor do desenvolvimento agrícola de Moçambique, mas é preciso agir já”, concluiu Mabamo.

Apesar das preocupações levantadas, o balanço da missão incluiu sinais positivos, sobretudo na responsabilidade social de algumas empresas. O caso da mineradora Haiyu Mining, que opera em Angoche, foi destacado como exemplo: a companhia investiu na construção de escolas, de centros de saúde e na perfuração de fontes de água.

“É de louvar. Vimos um centro de saúde em construção, uma escola já erguida e furos de água abertos. Este é um trabalho importante, que mostra o impacto da responsabilidade social. Se todas as empresas assumissem esse compromisso, o desenvolvimento seria mais inclusivo”, sublinhou Mabamo, lamentando, porém, que muitas companhias que operam no país ainda não cumpram plenamente o seu papel social. Vâna Jacinto

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