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OPINIÃO

Actuação da polícia de trânsito nas estradas: Por que o condutor tem que descer e ir ao encontro da polícia de trânsito?

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Nas estradas moçambicanas, é comum observar uma atitude que, aos poucos, se normalizou, mas que levanta sérias questões: o gesto do agente da Polícia de Trânsito a acenar viaturas para parar, seguido da descida do condutor e da sua caminhada até ao agente. E, em poucos minutos, o condutor regressa ao volante e continua a viagem. Esta prática, aparentemente inofensiva, merece uma análise crítica e profunda à luz do contexto actual do país.

No passado, a fiscalização era feita directamente na viatura, à vista de todos os ocupantes e, muitas vezes, até dos transeuntes. A abordagem era mais transparente, pois tudo que fosse conversado ou solicitado era testemunhado. Hoje, a prática mudou. A interacção é quase sempre privada, distante da vista de terceiros. E isso levanta suspeitas legítimas de que há mais do que simples verificação de documentos acontecendo. Afinal, que tipo de diálogo exige sigilo entre o agente e o motorista?

A actuação da polícia reguladora de trânsito deve pautar-se por princípios de legalidade, transparência e ética. A luta contra a corrupção nas estradas começa com pequenas mudanças de postura. Cabe ao cidadão recusar práticas duvidosas e exigir fiscalização clara. Cabe ao Estado criar mecanismos de controlo eficazes. E cabe à polícia exercer a sua missão com dignidade e respeito à lei. Somente assim, as nossas estradas deixarão de ser palco de tragédias evitáveis e se transformarão em vias de segurança e confiança para todos.

Essa mudança de postura não apenas fragiliza a transparência do trabalho policial como também abre margem para o alastramento da corrupção. A ausência de testemunhas durante o processo de fiscalização cria o ambiente ideal para subornos, principalmente quando o condutor se encontra em situação irregular. Em muitos casos, há relatos de motoristas que, sem apresentar documentos, trocam algumas palavras com os agentes e continuam viagem sem restrições, mesmo transportando passageiros. Lamentável!

E as consequências são visíveis: acidentes graves, mortes trágicas e a circulação de viaturas em condições duvidosas. Não é incomum ouvir que o veículo envolvido em um acidente fatal passou minutos antes por um ponto de fiscalização policial. Isso indica falhas graves no processo de controlo rodoviário, que, quando corrompido, perde a sua função principal: garantir a segurança.

É preciso que o Ministério do Interior, através do Comando-Geral da Polícia, se pronuncie e estabeleça directrizes claras. A fiscalização nas estradas deve voltar a ser feita directamente na viatura e na presença dos ocupantes ou de testemunhas, sempre que possível. Isso desencoraja práticas ilícitas e aumenta a confiança do cidadão, perante o trabalho dos agentes reguladores do transitoDeclaro: “Zero Corrupção nas nossas estradas”. 

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