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SOCIEDADE

Activista Sismo Eduardo denuncia infecção da sociedade civil e academia por espiões do SISE

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As organizações da sociedade civil e parte da academia em Nampula estão a ser acusadas de terem perdido o rumo da sua missão, transformando-se em espaços de protagonismo, “show-off” e até de infiltração por agentes do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE). A denúncia foi feita pelo activista social Sismo Eduardo Muchaiabande, que diz já não se saber quem é quem neste campo.

Segundo o activista, “já não se sabe quem é da sociedade civil, quem é do SISE e quem é do regime”. Esta mistura, no seu entender, minou a credibilidade das iniciativas sociais e académicas, desviando-as da defesa do povo e colocando-as ao serviço de interesses políticos e financeiros obscuros.

Eduardo acusa muitas organizações da sociedade civil, embora sem mencionar nomes, de estarem mais preocupadas em produzir relatórios para financiadores do que em promover mudanças concretas. “Hoje já não se encontra bravura. Restam apenas três ou quatro defensores que ainda trabalham por amor e carinho. O resto virou espectáculo”, lamentou.

A crítica vai além da falta de coragem. Para o activista, existe um esquema montado em torno de financiamentos e co-financiamentos que deixa sempre espaço para a infiltração de elementos ligados ao SISE. “Há sempre um camarada, um infiltrado, alguém do sistema que dita as regras e condiciona a luta social”, denunciou.

Sismo Muchaiabande recorda que a infiltração de espiões em organizações começou já na altura dos protestos contra o ProSavana e das polémicas em torno da linha férrea, episódios que, para ele, revelaram sinais claros de fragilidade. “No princípio estavam firmes, mas bastou um corrompido para todo o processo desabar. Hoje as organizações estão mais interessadas em justificar despesas do que em defender o povo”, acusou.

A academia, que deveria ser um farol de independência e espírito crítico, também não escapa às críticas. Muchaiabande afirma que muitos professores e investigadores se tornaram “académicos de meia tigela”, mais preocupados em garantir nomeações políticas e cargos administrativos do que em formar cidadãos conscientes.

Para o activista, essa degradação explica em parte a crise de confiança nas instituições. “Enquanto a sociedade civil e a academia aceitarem abraçar-se com governantes corruptos e comer no mesmo prato, não haverá transformação social. Viraram lambe-botas do poder”, disse em tom duro.

Na sua visão, o problema não está apenas na infiltração, mas também na cultura de acomodação que tomou conta de muitos actores sociais. “Lutam por taxas, por viagens, por aparecer. Já não se luta pelo povo, luta-se por protagonismo”, insistiu.

Sismo Eduardo Muchaiabande defende que a sociedade civil e a academia precisam de uma reforma profunda e implacável. “Ou se reposicionam como independentes e comprometidas, ou continuarão a ser cúmplices do enfraquecimento da democracia e da perpetuação da corrupção em Moçambique”, concluiu. Faizal Raimo

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