OPINIÃO
A Corrupção que se sentou nos nossos escritórios
Nunca vamos combater a corrupção enquanto ela continuar sentada nos nossos escritórios, confortável nas poltronas de pele, bebendo whisky caro atrás das cortinas pesadas, ao lado de cofres cheios de dinheiro roubado ao povo. É esta a verdade que muitos querem enterrar, mas que grita por si mesma, a corrupção não está lá fora, não vem de Marte nem se esconde nas sombras da noite. A corrupção mora dentro do próprio Estado, tem crachá oficial, salário do erário público e anda de carro com chapa do governo.
Faz-se teatro todos os dias. Criam-se gabinetes de combate à corrupção, leis bonitas e comissões cheias de nomes sonantes. Mas na prática, são os próprios corruptos a presidir a essas mesas. É como colocar uma cabra a tomar conta da horta. O resultado já se sabe: a corrupção multiplica-se, engorda e fica cada vez mais arrogante.
Os nossos escritórios públicos são hoje cemitérios da honestidade. Ali não se trabalha para o povo, mas para as contas bancárias privadas. Um concurso público nunca é justo; um contrato de milhões nunca é transparente; um emprego nunca é dado por mérito. Tudo se compra, tudo se vende, tudo tem preço. E se alguém se recusa a entrar no esquema, é afastado, humilhado ou destruído.
A corrupção veste fato e gravata, usa perfumes caros, fala português técnico nas conferências, mas por dentro é apenas ladrão. Ladrão de hospitais sem medicamentos, ladrão de escolas sem carteiras, ladrão de estradas que se desfazem depois da primeira chuva. Cada criança que estuda debaixo da árvore é vítima direta da corrupção sentada nos gabinetes. Cada paciente que morre por falta de um comprimido é resultado do roubo institucionalizado.
E ainda têm a coragem de nos olhar nos olhos e pedir paciência. Paciência para quê? Para que continuem a encher os bolsos enquanto o povo morre? Paciência para que mais uma geração cresça sem esperança? Paciência para assistir ao saque transformado em normalidade?
Não, já não é questão de paciência. É questão de dignidade. E o povo precisa acordar para perceber que nunca haverá combate à corrupção enquanto os corruptos continuarem a mandar nos escritórios. Quem rouba é que manda. Quem denuncia é que é preso. Eis a inversão brutal da justiça.
Querem enganar-nos com prisões de “peixes pequenos” secretários de bairro, chefes de repartição sem nome enquanto os verdadeiros tubarões continuam a governar, a discursar e até a dar lições de moral. É uma encenação nojenta. O combate à corrupção em Moçambique é o maior espetáculo de hipocrisia que este país já viu.
E digo com clareza: não se destrói a corrupção com comícios, nem com conferências, nem com leis no papel. A corrupção só cairá quando for arrancada pela raiz, e essa raiz está cravada nos gabinetes ministeriais, nos conselhos de administração, nas assembleias. Está cravada nos que hoje juram amar a pátria, mas que na verdade só amam as suas fortunas escondidas no estrangeiro.
Enquanto a corrupção continuar sentada nos nossos escritórios, nós, o povo, continuaremos de joelhos, mendigando aquilo que já é nosso por direito.
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