SOCIEDADE
UniRovuma defende uso de tecnologias geográficas para resolver problemas sociais
A Faculdade de Ciências da Universidade Rovuma (UniRovuma) assinalou na última sexta-feira (29) o Dia Internacional do Geógrafo com um debate subordinado ao tema “Geografia e o poder dos lugares: compreender o mundo para transformar a realidade”, centrado na utilização dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG).
O encontro reuniu docentes e estudantes do curso de Geografia Aplicada à Gestão do Território, bem como de outras áreas ligadas à Geografia, para reflectir sobre o contributo da disciplina na compreensão e resolução dos desafios sociais, ambientais e urbanos que afectam Moçambique, com destaque para a província de Nampula. Entre os temas abordados estiveram o crescimento urbano, o ordenamento territorial, o saneamento do meio e as mudanças climáticas.
A Mestre em Educação, especialidade em Desenvolvimento Popular, Alice Abdala Omar, abordou durante o debate as transformações recentes no núcleo central da cidade de Nampula, destacando que o crescimento urbano acelerado tem provocado alterações significativas na paisagem urbana e aumentado a pressão sobre as infra-estruturas existentes.
Segundo a académica, o centro da cidade continua a concentrar a maior parte dos serviços públicos e actividades económicas, obrigando muitos residentes das zonas periféricas a deslocarem-se diariamente para aceder a esses serviços.
“As mudanças urbanas devem fazer-se sentir em toda a área da cidade, garantindo o direito à cidade, onde o planeamento e a gestão urbana assegurem o acesso seguro e digno da população aos serviços públicos e equipamentos. Caso contrário, como alerta Santos, a cidade tornar-se-á criadora de pobreza, tanto pelo modelo socioeconómico de que é suporte como pela sua estrutura física, que torna os habitantes das periferias pessoas ainda mais pobres”, afirmou.
A docente defendeu ainda a necessidade de promover transformações estruturais que permitam a criação de novas centralidades nas zonas periféricas da cidade de Nampula, reduzindo a dependência do núcleo central e melhorando a qualidade de vida da população.
Por sua vez, a docente de Demografia, Gessy Garengueza, defendeu uma Geografia mais orientada para a investigação e para a resolução de problemas concretos da sociedade moçambicana, através da aplicação dos Sistemas de Informação Geográfica.
“Os professores de Geografia, alunos e estudantes, sobretudo do sistema público de ensino, devem abandonar o comodismo e abraçar a pesquisa e a resolução dos problemas reais de Moçambique, como o saneamento do meio, as mudanças climáticas, a crescente urbanização, o ordenamento territorial, os assentamentos informais, a gestão do lixo, as desigualdades sociais e a pobreza, aplicando as ferramentas do SIG para resolver problemas reais da população moçambicana”, defendeu.
Gessy Garengueza considerou ainda que a Geografia não deve limitar-se à reprodução de conteúdos teóricos, mas contribuir para o desenvolvimento de competências investigativas e para a criação de soluções práticas para os desafios do país.
“A prática pedagógica requer reflexão, crítica e constante criação e recriação do conhecimento e das metodologias de ensino”, concluiu.
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