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SOCIEDADE

Docente do ensino primário cria aplicativo gratuito para simplificar registos escolares em Nampula

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O aplicativo promete reduzir burocracia nas escolas

O excesso de trabalho manual nas escolas moçambicanas levou um professor da província de Nampula a desenvolver um aplicativo digital que promete facilitar o dia a dia dos docentes, reduzindo significativamente o tempo gasto no preenchimento de mapas, cálculo de médias e elaboração de pautas escolares.

Trata-se da “Caderneta Inteligente”, um aplicativo criado pelo professor Alexandre Francisco, docente do ensino primário na Escola Primária de Ramique, no distrito de Monapo. A ferramenta já conta com cerca de 1.500 utilizadores em todo o país e está disponível gratuitamente na Play Store.

O aplicativo permite ao professor criar turmas, inserir dados dos alunos, lançar notas ao longo do ano lectivo e gerar automaticamente documentos oficiais em formato PDF, prontos para impressão e submissão às direcções das escolas, eliminando erros comuns associados ao processamento manual.

Segundo o criador, a ideia começou a ganhar forma em 2022, quando decidiu desenvolver o programa de forma autónoma, recorrendo apenas ao seu computador e a recursos próprios. Em 2024, o projecto concorreu ao Prémio Jovem Criativo, tendo alcançado a fase nacional.

De acordo com Alexandre Francisco, a iniciativa nasceu da sua própria vivência como professor e das dificuldades enfrentadas no quotidiano escolar.

“Sou professor há alguns anos e decidi que não podia ficar parado. Tinha de trazer uma solução para responder a essa dor silenciosa. Trabalhar tudo no papel não é um problema de uma única pessoa; muitos professores vivem esse dilema”, afirmou.

Aplicativo “Caderneta-Mapas, Pautas, Notas”, desenvolvido por um professor do ensino primário, disponível gratuitamente na Play Store, permitindo a automatização de mapas, pautas e registos escolares.

O docente explica que o funcionamento do aplicativo é simples e intuitivo. “O professor adiciona a turma, insere os alunos e, quando precisa de um mapa, por exemplo o de Março, apenas clica e o sistema gera o PDF. No fim do trimestre, gera o mapa trimestral e, no final do ano, a pauta completa, sem precisar escrever primeiro a lápis, depois a caneta, nem corrigir erros de média”, detalhou.

Apesar do impacto positivo da ferramenta, o criador diz não ter grandes expectativas de apoio institucional neste momento.

“Eu fiz o programa para quem quiser usar. Se eu me basear no ministério, seria uma grande ilusão, porque as coisas em Moçambique não são tão fáceis. O aplicativo é 100% gratuito, não tenho interesse em investidores; gasto o meu próprio dinheiro e o meu próprio tempo”, sublinhou.

Ainda assim, a Caderneta Inteligente já começou a ser adoptada formalmente por algumas escolas.
“Tenho cinco escolas que me contactaram oficialmente e estão a usar o sistema. Duas são de Lichinga, no Niassa e três aqui na província de Nampula. Outras utilizam de forma informal, porque o sistema é aberto”, revelou.

Questionado sobre um eventual apelo às autoridades do sector da educação, Alexandre preferiu dirigir a sua mensagem directamente aos professores.

“O meu apelo não vai para os dirigentes, vai para o próprio professor. Que use o aplicativo. É muito bom e reduz bastante o tempo perdido no preenchimento manual de documentos”, concluiu.

Alexandre Francisco é formado como professor, estudou em Chibata, na província de Manica, e frequenta actualmente a licenciatura em Ensino de Informática na Universidade Católica de Moçambique.Vânia Jacinto

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