ECONOMIA
Fiscalização punitiva é a principal causa da alta de acidentes, alerta o docente universitário Maurício Régulo
O analista político e docente universitário, Maurício Régulo, defende que a Polícia de Trânsito deve educar em vez de apenas punir. Para ele, multas e ameaças não reduzem acidentes, criam corrupção e medo. Régulo alerta ainda que o aumento dos acidentes de viação no país resulta de um sistema de fiscalização que privilegia a punição e a intimidação, em detrimento da educação dos automobilistas.
Segundo Régulo, a tendência de responsabilizar apenas o condutor ou o estado mecânico do veículo representa uma leitura limitada e que oculta falhas institucionais graves.
“Logo que ocorre um acidente, corremos para culpar o motorista: ou porque não tem carta compatível, ou porque estava embriagado, ou porque circulava em excesso de velocidade. Por vezes culpamos o próprio equipamento. Mas esquecemos outros factores determinantes, como as condições da via e a falta de sinalização”, afirmou.
O académico critica o comportamento de muitos agentes da Polícia de Trânsito, que, segundo ele, se limitam a aplicar multas e a ameaçar condutores.
“Os agentes só sabem multar, ofender automobilistas e ameaçá-los com retenção da carta. Não sabem educar o cidadão sobre a irregularidade que está a cometer. E depois perguntamos por que é que o motorista recorre à corrupção?”, questiona.
Régulo sublinha ainda que as más condições das estradas contribuem significativamente para os acidentes.
“É comum ver valas que engolem carros. O município não mexe porque são responsabilidade da ANE, que leva semanas, meses ou anos para intervir. Quantas viaturas já foram danificadas por estas valas? No fim, a culpa volta sempre ao motorista”, lamenta.
O docente defende uma reforma profunda no INATRO, que, na sua opinião, não deve limitar-se a emitir cartas ao fim de vários meses ou a apoiar operações de multa.
“O INATRO deveria multar a ANE por deficiências das vias”, atirou, criticando também o modelo de obtenção de carta através de processos online, que produz condutores sem domínio das regras básicas de trânsito.
Maurício Régulo conclui que é preciso educar, fiscalizar com justiça e garantir a igualdade perante a lei, conforme estabelece a Constituição.
“Arrancar cartas não resolve nada. Os agentes devem respeitar a farda que representam. Se não mudarmos de atitude, continuaremos a contabilizar sangue nas vias e luto nas famílias”, finalizou. Faizal Raimo
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