ECONOMIA
Governo de Nampula decreta tolerância zero às uniões prematuras em Mogovolas
O governador da província de Nampula lançou, esta quinta-feira (27), um forte alerta contra a prática de uniões prematuras no distrito de Mogovolas, classificando o fenómeno como uma violação grave da lei e assegurando que será implacável na responsabilização de qualquer adulto envolvido em casamentos forçados com menores.
Falando perante líderes comunitários, professores, autoridades religiosas e representantes da sociedade civil, Eduardo Mariamo Abdula condenou a persistência desta prática, sublinhando que ela constitui uma violação flagrante dos direitos das crianças e compromete o desenvolvimento das comunidades.
“Ainda hoje, em pleno século XXI, temos meninas de 12, 13 e 14 anos a serem retiradas da escola para se tornarem esposas e mães. Isto é injusto, é perigoso e profundamente prejudicial para elas, para as famílias e para a nossa província. O casamento prematuro não constrói futuro; destrói vidas antes mesmo de começarem”, denunciou.
O governador destacou igualmente o impacto social e económico das uniões prematuras, afirmando que cada rapariga afastada da escola representa uma perda significativa para o futuro da província.
“Quando uma rapariga deixa a escola por causa de um casamento forçado, perdemos uma futura professora, enfermeira, empreendedora, líder comunitária. Perdemos talento, perdemos capacidade de desenvolvimento”, reforçou.
Visivelmente indignado, Abdula afirmou que não tolerará qualquer caso desta natureza, prometendo acções firmes e responsabilização criminal.
“No dia em que encontrar esta situação, essa pessoa adulta vai sofrer consequências. Violação de criança é crime”, advertiu, garantindo que perseguirá os infractores “até ao fim”.
O governante citou ainda um caso recente que classificou como chocante — o de uma criança de 10 anos que deu à luz no Hospital Central de Nampula — sublinhando que episódios desta gravidade demonstram a urgência de uma intervenção mais firme.
“Não podemos vender as nossas filhas. Deixem as meninas crescerem, estudarem e escolherem o seu futuro”, apelou.
Abdula pediu também maior envolvimento das comunidades e das famílias, defendendo que a mudança deve começar dentro do lar e das estruturas tradicionais.
“Precisamos que os pais, os líderes tradicionais, os régulos e as igrejas assumam a sua responsabilidade moral e social. Cada pai deve ver a sua filha como criança e não como moeda de troca. Esta luta é de todos”, sublinhou.
Além de denunciar as uniões prematuras, o governador apelou aos homens para abandonarem a violência doméstica, classificando-a como prática que destrói famílias e compromete o desenvolvimento comunitário. Vânia Jacinto
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