ECONOMIA
Hospital Central de Nampula regista aumento de mortes por AVC: 48 óbitos em nove meses
O Hospital Central de Nampula (HCN) registou, entre Janeiro e Setembro de 2025, 48 mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC), um número que supera largamente os anos anteriores e preocupa as autoridades de saúde. A informação foi avançada pelo neurologista Frederico João Sebastião, que alerta para o fraco controlo das doenças crónicas e o abandono do tratamento por parte de muitos doentes.
Do total de óbitos, 32 resultaram de AVC isquémico e 16 de AVC hemorrágico. Em 2023 o HCN registou 11 mortes por AVC; em 2024, 41; e em 2025, apenas nos primeiros nove meses, já foram 48. “Os números mostram uma subida contínua e revelam que os factores de risco continuam mal controlados. Muitos doentes interrompem a medicação e regressam ao hospital com novos AVCs”, explicou o especialista.
Os dados dizem respeito apenas aos pacientes que chegaram à enfermaria de medicina, ficando de fora os internados na reanimação. “O número real pode ser maior do que o registado oficialmente”, aclarou.
As principais causas de AVC continuam associadas à hipertensão arterial, diabetes, uso de drogas, infecções associadas ao HIV e malformações arteriovenosas. O neurologista sublinha que o problema central é o abandono do tratamento. “A hipertensão é controlável, não curável. O doente toma os comprimidos, sente alívio e pára o tratamento. É isso que aumenta as complicações.”
Em relação à prevenção, Frederico Sebastião destaca medidas simples e acessíveis: menor consumo de sal e gorduras, preferência por alimentos cozidos ou assados, prática regular de actividade física, controlo do peso, abandono do tabaco e redução do consumo de bebidas alcoólicas e energéticas. “Muitos consomem energéticos e anabolizantes que agravam a hipertensão. O sedentarismo também tem contribuído para o aumento dos casos.”
O médico denuncia ainda o abandono de doentes no regresso a casa. “Alguns voltam desnutridos, com feridas ou complicações graves porque as famílias não sabem lidar com as sequelas. Há doentes que saem cedo demais e regressam em estado crítico.”
O neurologista alertou também para o crescimento de AVCs fatais em mulheres grávidas hipertensas, muitas das quais não fazem pré-natal. “A grávida hipertensa deve iniciar o tratamento desde o primeiro sinal de atraso menstrual. A prevenção evita complicações graves como eclâmpsia.”
Diante do aumento de mortes, o especialista reforça a necessidade de disciplina e responsabilidade individual. “O que mais mata não é a doença, é o descuido. Se o doente cumprir o tratamento, reduz drasticamente o risco de morte por AVC. O segredo está na prevenção e no acompanhamento regular.” Vânia Jacinto
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