SOCIEDADE
UniLúrio e sociedade civil buscam soluções inclusivas para enfrentar os desafios urbanos de Namutequeliua
A Universidade Lúrio (UniLúrio), através da sua Faculdade de Arquitetura e Planeamento Físico, pretende impulsionar uma transformação urbana sustentável e sensível ao género, com base em investigação participativa que envolva directamente as comunidades, as organizações da sociedade civil e as instituições públicas.
No quadro deste objectivo, a universidade reuniu esta quarta-feira, na cidade de Nampula, líderes comunitários, organizações não governamentais, representantes religiosos, jornalistas e académicos para discutir os principais problemas das unidades comunais Amílcar Cabral, Mutomote e 25 de Setembro, situadas no bairro de Namutequeliua.
O encontro tem como principal objectivo orientar o processo de pesquisa transdisciplinar que a UniLúrio está a desenvolver em Namutequeliua, através de quatro metas centrais: formular uma questão de investigação orientadora conjunta, que sirva de base para todo o estudo; identificar e mapear as interfaces entre as perspectivas científicas e as visões da sociedade, garantindo que o conhecimento académico dialogue com as experiências locais; efectuar o mapeamento das partes interessadas, envolvendo todos os actores-chave — desde instituições públicas e organizações comunitárias até líderes locais e cidadãos; e, por fim, conceptualizar a transformação urbana a partir dos diferentes pontos de vista dos intervenientes, de modo a construir uma visão partilhada e inclusiva sobre o futuro das comunidades de Namutequeliua.
A actividade decorreu no âmbito do projecto Fortalecimento de Pesquisa e Competências Educacionais de Instituições de Ensino Superior para a Transformação Urbana Sensível ao Género (GiRT), que visa criar estratégias conjuntas para melhorar as condições de vida nas zonas urbanas.
De acordo com o coordenador do projecto, professor António Manuel de Amurane, a iniciativa aposta numa pesquisa transdisciplinar, em que o conhecimento científico dialoga com a experiência das comunidades. “Procuramos definir melhor como fazer a pesquisa, quais são as partes interessadas e quais os métodos mais adequados ao nosso contexto”, explicou.
O académico sublinhou que o envolvimento de diferentes actores sociais é fundamental para garantir resultados concretos. “O exercício de hoje foi o de listar os principais problemas e as questões de pesquisa. Não são apenas os investigadores que fazem isso — são também as ONGs, os líderes comunitários e os representantes da sociedade civil”, referiu.
Amurane afirmou que o projecto não tem como foco intervenções físicas, mas pretende traçar linhas de orientação e propor soluções práticas que possam inspirar políticas públicas e acções locais. “A ideia não é a academia vir impor respostas, mas trabalhar com as comunidades para propor, ao nível de ideias, o que pode ser feito”, salientou.
O docente acrescentou que o trabalho conjunto entre a universidade e os actores locais permitirá alinhar diferentes pontos de vista e criar estratégias adaptadas à realidade das comunidades. “O desafio está em juntar todos estes contributos e transformar essa diversidade em conhecimento útil e aplicável”, disse.
“A transformação urbana começa quando o conhecimento científico se junta à sabedoria popular. É assim que podemos construir soluções que nascem das pessoas e servem as pessoas”, concluiu Amurane. Assane Júnior
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