ECONOMIA
Governo quer garantir ganhos reais das comunidades no mercado de carbono
Nova política ambiental vai proteger populações locais e regular investimentos na floresta moçambicana
O Governo moçambicano pretende assegurar que as comunidades locais sejam as primeiras beneficiárias dos projectos ligados ao mercado de carbono, que ganham cada vez mais espaço em Moçambique e no mundo como mecanismos de compensação ambiental e geração de receitas.
A informação foi avançada por Vilela de Sousa, técnica sénior ligada ao processo de revisão da política e da legislação ambiental, durante uma sessão de auscultação pública sobre os novos instrumentos de governação climática.
“Antes de eu ganhar com o mercado de carbono, a comunidade onde se faz o reflorestamento deve ganhar primeiro”, afirmou, sublinhando a necessidade de regras claras e justas para a distribuição dos lucros provenientes de iniciativas de reflorestamento e conservação.
De acordo com a responsável, a revisão dos instrumentos jurídicos em curso pretende introduzir normas específicas para os serviços ambientais e créditos de carbono, de modo a regular as transações financeiras e assegurar benefícios tangíveis para as populações locais.
“É preciso regulamentar para garantir que os primeiros beneficiários sejam, de facto, as comunidades. Só assim teremos desenvolvimento sustentável e vidas transformadas”, reforçou.
Vilela de Sousa alertou que, sem um quadro legal actualizado, as comunidades correm o risco de ver os seus recursos naturais explorados sem retorno social, num contexto em que investidores estrangeiros procuram cada vez mais áreas de reflorestamento para compensar emissões de carbono.
O processo de revisão vai também incorporar mecanismos internacionais, como o REDD+ (Redução de Emissões derivadas do Desflorestamento e Degradação Florestal), e actualizar o regulamento de gestão de activos ambientais.
A técnica salientou que a criação deste enquadramento jurídico visa garantir segurança ao Estado, às empresas e às próprias comunidades, estabelecendo critérios transparentes para a negociação de créditos de carbono e de serviços ambientais.
“Não podemos permitir que se comprem ou vendam áreas de floresta sem garantias de justiça social e de sustentabilidade. É preciso que cada moçambicano sinta que ganha com a protecção do ambiente”, defendeu.
O Governo espera que, após a revisão, o país disponha de instrumentos modernos de gestão ambiental e climática, capazes de reforçar a fiscalização, a participação pública e a resiliência das comunidades. Redacção
-
SOCIEDADE6 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
DESPORTO2 anos atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA10 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA10 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
