SOCIEDADE
Os Naparamas devem ser valorizados e integrados no diálogo nacional
A poucos dias do arranque da fase de implementação do Diálogo Nacional Inclusivo, o missionário Passionista da Diocese de Pemba, Padre Fonseca Kwiriwi, defendeu que os Naparamas – grupo paramilitar que combateu ao lado das forças governamentais durante a Guerra Civil de 16 anos – devem ser reconhecidos, valorizados e integrados no processo de diálogo e reconciliação nacional.
Segundo o sacerdote, se os Naparamas continuarem excluídos, podem transformar-se num foco de rebeldia e de instabilidade em Moçambique.
Kwiriwi recordou que, no passado, os Naparamas se colocaram ao lado das Forças de Defesa e Segurança, apoiando o governo em várias frentes, sobretudo nas províncias da Zambézia e Nampula. “Eles foram um grupo forte que ajudou o Exército Nacional no combate contra os chamados inimigos. Porém, após o fim da guerra, ficaram dispersos, sem reconhecimento, sem enquadramento, mergulhados em condições de sobrevivência precária”, lamentou.
Segundo o missionário, muitos destes combatentes paramilitares foram deixados à sua sorte, passando a viver como curandeiros, trabalhadores informais ou pequenos agricultores. “É uma sociedade excluída porque nunca houve encaminhamento digno após o conflito. São filhos desta terra e não podem ser abandonados”, reforçou.
Nos últimos anos, pequenos grupos de Naparamas reapareceram em regiões do Norte, tentando enfrentar a insurgência em Cabo Delgado. Contudo, segundo Kwiriwi, a resposta do Estado não tem sido clara. “Eles combatem, mas de forma isolada, sem enquadramento oficial. Houve episódios recentes em que cerca de vinte Naparamas foram mortos, no distrito de Chiúre, supostamente por insurgentes”, frisou.
O silêncio que se seguiu a esses acontecimentos preocupa o sacerdote, que considera urgente um novo olhar das autoridades. “Esse silêncio é sinal de que falta diálogo. O governo precisa analisar os factos, de se reconciliar com este grupo. Se há erros cometidos, devem ser tratados com justiça, mas se a sua acção contribui para o bem do país, então merecem ser incluídos no esforço comum”, sublinhou.
Kwiriwi acredita que o diálogo inclusivo é o único caminho para a paz duradoura. “Durante as manifestações, eles surgiram a reivindicar, a protestar, porque também se sentem excluídos. O Estado tem o papel de unir forças, dialogar com todos, mesmo com os grupos mais radicais. Só assim se evita que surjam novos rebeldes”, advertiu.
Para o missionário, integrar os Naparamas no processo de Reconciliação Nacional não é apenas uma questão de segurança, mas também de justiça histórica. “Eles deram o seu contributo durante a guerra. Foram combatentes que colocaram a vida em risco. Não se pode ignorar esse legado. O diálogo e o reconhecimento são fundamentais para que se sintam que também fazem parte da construção da paz”, argumentou.
Pe. Kwiriwi concluiu que um Estado que valoriza a reconciliação precisa abrir espaço para ouvir todos os actores, incluindo os mais marginalizados. “Se quisermos viver momentos de paz, precisamos cultivar a cultura do diálogo. É aproximando os grupos dispersos e excluídos que estaremos a construir os mecanismos certos para a estabilidade e a unidade nacional”, disse. Faizal Raimo
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