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ECONOMIA

Fiscalização cambial é chave para conter a pressão sobre alimentos, alerta o economista Domingos Zaqueu

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O economista Domingos Zaqueu lançou um alerta ao Banco Central, apelando a uma maior fiscalização junto dos bancos comerciais e do mercado negro, de modo a travar a proliferação da venda de divisas de forma desordenada.

Para o especialista, é fundamental que as transacções cambiais sejam feitas com transparência e dentro das regras oficiais, sob pena de as práticas informais continuarem a ganhar espaço e a fragilizar o sistema financeiro.

O alerta surge num momento em que, devido à escassez de moeda estrangeira, muitas empresas e cidadãos recorrem ao mercado negro, onde o dólar é vendido a preços muito acima da taxa oficial. Essa diferença repercute-se no custo dos produtos importados, como combustíveis, trigo, arroz e medicamentos, pressionando o custo de vida das famílias. Assim, embora o país esteja a registar deflação, existe o risco de a inflação regressar nos próximos meses, caso não haja controlo rigoroso.

Segundo explicou, Moçambique registou deflação pelo quarto mês consecutivo e pela oitava vez nos últimos 15 meses, resultado sobretudo da queda dos preços nos sectores de Transporte e Alimentação. Em teoria, este movimento deveria representar um alívio imediato para as famílias, sustentado pela isenção do IVA em produtos básicos e pela redução das tarifas de portagens.

Contudo, advertiu o economista, essa tendência não se reflecte no dia-a-dia dos consumidores em Nampula, sobretudo no preço dos alimentos. Essa contradição entre os indicadores macroeconómicos e a realidade das famílias reforça a necessidade de um olhar crítico sobre o funcionamento dos mercados locais.

Apesar do aparente alívio a curto prazo, Zaqueu alertou que a economia pode enfrentar novas pressões inflacionárias no último trimestre do ano, sustentadas pela escassez de divisas e pelo recurso crescente ao mercado negro. “Se não houver controlo rigoroso, a pressão sobre a cesta básica pode agravar-se, afectando directamente os consumidores”, advertiu.

O economista acrescentou ainda que factores como a instabilidade em Cabo Delgado, a saída de programas de cooperação internacional, como o da USAID, e a vulnerabilidade da economia nacional tornam imprevisível o comportamento do país a médio e longo prazos.

Domingos Zaqueu falava ao Jornal Rigor, convidado a analisar as razões pelas quais, apesar da deflação registada desde Junho, os munícipes de Nampula não estão a sentir alívio nos preços da comida. Vânia Jacinto

 

 

 

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