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Uniões prematuras apontadas como causa da alta taxa de analfabetismo em Nampula

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O governo distrital de Nampula considera que as uniões prematuras estão entre as principais causas do analfabetismo na província, afectando sobretudo raparigas que abandonam os estudos para casar cedo.

A posição foi defendida pela administradora distrital, Etelvina Fevereiro, durante o lançamento da Semana Internacional da Alfabetização, realizado na Escola Básica de Muapara, sem avançar números sobre a população analfabeta ou sobre os casamentos prematuros, ainda que tenha reconhecido que ambos os índices permanecem elevados.

“Não queremos uniões prematuras. Este é o problema fundamental de muitas de nós não podermos estudar. Casámos cedo, deixámos a escola, mas, como diz a nossa Primeira-Dama, mamã Gueda, nunca é tarde para aprender”, afirmou a administradora.

Segundo o Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF) de 2022, 38,3% da população moçambicana com 15 ou mais anos continua sem saber ler nem escrever. Nampula, considerada uma das províncias mais críticas, registou este ano 85.323 alfabetizandos, dos quais 54.550 são mulheres, o que representa 86,2% da meta estabelecida.

Fevereiro sublinhou ainda que o verdadeiro desenvolvimento de uma nação depende do domínio da leitura e da escrita: “Um país só se desenvolve com pessoas que sabem ler e escrever, que compreendem como funciona o mundo, a política, a administração e a economia. O futuro de Moçambique depende das nossas crianças, por isso os pais e encarregados de educação devem garantir que elas estudem.”

A Semana Internacional da Alfabetização, celebrada sob o lema “Promovendo a alfabetização na era digital”, decorre até ao dia 8, num contexto em que a província enfrenta atrasos no pagamento de subsídios aos alfabetizadores, estimados em mais de 50 milhões de meticais.

A administradora reconheceu as dificuldades do sector, mas garantiu que o governo está a trabalhar gradualmente para ultrapassá-las. Apelou também à valorização do conhecimento: “Aprender a ler e a escrever é uma arma fundamental para qualquer cidadão. Hoje, até para gerir um pequeno negócio, é preciso saber calcular lucros e compreender o valor do investimento. A alfabetização dá poder e protege contra abusos.”

Já Castele Silvano, da Direcção Provincial de Educação, destacou que a Semana Internacional da Alfabetização constitui uma oportunidade para reflectir sobre os perigos do analfabetismo. “Este período é ímpar para auscultar a opinião pública, aprimorar os programas em curso e lançar novas iniciativas em prol do empoderamento da comunidade”, afirmou. Isabel Abdala

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