OPINIÃO
Afinal, o país esta em Guerra?
Foi preciso que Filipe Paunde, um dos mais antigos e respeitados membros da Comissão Política da Frelimo, se levantasse em plena Nampula e dissesse aquilo que os moçambicanos já berravam há anos: “Moçambique está em guerra!”.
Não é um qualquer opositor a falar. Não é um jornalista “fabricador de boatos”, como gostam de acusar os camaradas. Não é o povo sofrido que eles chamam de “agitadores”. É um dos seus! Um veterano do partido que nos governa desde 1975. E quando a verdade sai da boca de dentro, deixa de ser rumor.
Agora pergunto: onde estavam vocês, senhores camaradas, quando milhares de vozes diziam que Cabo Delgado ardia em guerra? Onde estavam quando deslocados lotavam campos improvisados, sem comida, sem roupa, sem esperança? Onde estavam quando jovens soldados eram enviados para o mato, mal pagos, mal equipados, para morrerem como carne barata de abate? Onde estavam quando jornalistas como Ibrahimo Mbaruco desapareciam e outros eram presos por tentar contar ao mundo o que realmente acontecia?
Estavam a negar! Estavam a rir, dizendo que eram apenas “pequenos ataques isolados”!
Pois bem, a piada acabou. Paúnde rasgou o véu. E eu digo: esta confissão não é apenas um detalhe político, é um atestado de incompetência. É a prova de que nos mentiram durante anos.
A Frelimo sempre viveu da mentira. Mentiu quando disse que a independência ia trazer igualdade, mas criou uma elite milionária que hoje vive a nos escravizar. Mentiu quando disse que os “7 milhões” iriam desenvolver os distritos, mas o dinheiro foi parar nos bolsos dos próprios dirigentes. Mentiu quando disse que não havia raptos, enquanto empresários são caçados em plena luz do dia. Mentiu quando disse que havia democracia, mas prende opositores, manipula eleições e bate nos jornalistas.
Agora, a mentira da vez era dizer que não havia guerra. Mas quando até um dos seus admite que estamos em guerra, então o castelo de areia desmorona.
O que Paúnde disse não é apenas uma declaração, é uma confissão de falência nacional. É admitir que o Estado perdeu o controlo. É reconhecer que os moçambicanos já não vivem em paz, mas sobrevivem numa batalha diária.
E digo mais: se Moçambique está em guerra, como admite Paúnde, quem são os generais desta guerra? Não são apenas os insurgentes em Cabo Delgado. São também os corruptos. São os que roubam a nação com caneta e gravata. São os que transformaram o Estado num instrumento de saque. São os que matam com fome e miséria, mais do que qualquer bala.
A guerra que o povo trava não é só contra terroristas escondidos na mata, é contra terroristas que estão nos gabinetes.
Por isso, senhores camaradas, preparem-se para noites longas. Porque a palavra que vocês evitaram durante anos, agora já não pode ser engolida. Está estampada. Está oficializada. E uma vez aberta a porta da verdade, não há propaganda que a feche.
Se Filipe Paúnde diz que Moçambique está em guerra, então que cada dirigente olhe no espelho e reconheça que vocês são parte desse conflito. Vocês alimentaram essa guerra com a vossa incompetência, com o vosso silêncio, com a vossa mentira, com a vossa corrupção.
E se o povo moçambicano tiver coragem, esta guerra vai virar-se contra vocês. Porque um povo que já perdeu o medo, que já perdeu os filhos, que já perdeu tudo, não tem mais nada a perder.
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