SOCIEDADE
Consumo de drogas dispara em Nampula: 2.313 usuários registados em apenas seis meses
O consumo de drogas em Nampula atingiu níveis alarmantes no primeiro semestre de 2025, com 2.313 usuários identificados, um salto expressivo face aos 474 registados no mesmo período do ano passado. Os dados foram apresentados pela directora do Gabinete Provincial de Combate à Droga, Isabel Sanfins, que classificou a situação como “assustadora” e alertou para o predomínio de adolescentes e jovens entre os consumidores, incluindo casos de crianças já arrastadas para o vício.
Segundo Sanfins, os números de 2025 resultam de uma recolha de dados mais abrangente, que incluiu registos do Centro de Saúde Mental e também do Centro de Apoio aos Usuários de Drogas, gerido pela organização Unidos. No ano passado, as estatísticas tinham sido contabilizadas apenas com base no Centro de Saúde Mental, o que ajuda a explicar parte da diferença, embora o crescimento continue a ser considerado muito elevado.
No mesmo período, as autoridades apreenderam 273 quilos de diversas drogas, entre metanfetamina, heroína e cannabis sativa (conhecida localmente como soruma). A responsável sublinhou que estas substâncias estão cada vez mais acessíveis, sendo vendidas por valores tão baixos como 30 ou 50 meticais, o que facilita o consumo e agrava o problema.
Isabel Sanfins alertou que a proliferação destas drogas tem efeitos directos na segurança e na saúde pública, incluindo aumento da criminalidade, acidentes rodoviários, violência sexual, infecções por HIV e abandono escolar.
“Temos jovens a ficarem zumbis por causa destas drogas. Os que consomem drogas injectáveis partilham seringas e disseminam o HIV, enquanto os que abusam do álcool ou outras substâncias perdem a capacidade de se proteger, originando gravidezes precoces e doenças sexualmente transmissíveis”, referiu.
A directora citou ainda casos chocantes de adolescentes drogados em escolas, envolvidos em situações de abuso sexual e violência, destacando o impacto devastador nas famílias e comunidades.
Face ao cenário, Isabel Sanfins apelou a uma participação activa de toda a sociedade na prevenção e combate ao consumo e tráfico de drogas. Sublinhou que a educação e a vigilância devem começar em casa, com pais e encarregados de educação atentos ao comportamento, às companhias e ao desempenho escolar dos filhos.
“O diálogo dentro de casa é fundamental. Muitos jovens dizem sentir-se invisíveis para os pais, o que os leva a procurar na rua conselhos e soluções deturpadas. É preciso estar presente, ouvir, orientar e acompanhar o percurso dos filhos para evitar que caiam nesta armadilha”, reforçou.
A responsável defendeu também uma maior coordenação entre autoridades, escolas, famílias e organizações comunitárias para travar um fenómeno que, segundo afirmou, está a comprometer o futuro da juventude e a paz social em Nampula. Jhenia Horácio
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Pascoal Comane
Outubro 10, 2025 at 12:16 pm
O governo precisa de fazer um trabalho de reabilitação, formação e integração dos mesmos na sociedade. A igreja também deve ser um parceiro maioritariamente, com ajuda de espírito Santo pode ser aniquilado essa praga. Eu sou pastor e tenho esse projeto desenhado, estou em Nacala e cá tem sido uma dor dentro de mim so de ver o nivel aonde os jovens estão chegando. Precisamos trabalhar o mais urgente possível.