SOCIEDADE
Aboochama Vontade defende mudança urgente na estratégia de enfrentamento ao terrorismo
O analista político Aboochama Vontade considera que Moçambique enfrenta sérias fragilidades no combate ao terrorismo e defende a necessidade urgente de uma reestruturação profunda da estratégia militar, bem como da relação entre as forças destacadas no terreno e as populações civis. A sua análise surge na sequência dos recentes ataques terroristas registados em Chiúre Velho, província de Cabo Delgado, que provocaram várias mortes e o deslocamento de centenas de pessoas.
Segundo o analista, o terrorismo é uma forma de guerrilha que visa enfraquecer as bases das instituições políticas de um Estado. Neste contexto, o regresso de ataques em zonas anteriormente declaradas como libertas pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) levanta sérias preocupações quanto à eficácia da actual abordagem governamental.
“Se a intenção dos terroristas é regressar a zonas consideradas libertas pela força militar moçambicana, isso revela que a capacidade logística, estratégica e táctica está comprometida. A situação agrava-se quando não existe material bélico adequado aliado a uma estratégia sólida de combate”, afirmou.
Vontade defende, por isso, a aquisição urgente de meios tecnológicos e humanos capazes de identificar, detectar e monitorizar as acções terroristas em tempo real. Aponta ainda para a necessidade de se adoptar uma estratégia militar ampla, que envolva os diferentes segmentos da sociedade na resposta ao fenómeno.
Na sua opinião, uma abordagem eficaz deve assentar na chamada Sociologia do Terrorismo, que associa o combate armado à compreensão e integração activa das comunidades locais.
Numa análise mais aprofundada, o analista alertou para as consequências sociais das acções repressivas por parte das forças de defesa, que, segundo afirmou, têm contribuído para a erosão do tecido social nas regiões afectadas.
“A erosão social resulta da actuação pouco humana e pouco confiável das FDS e das FADM perante as populações. A experiência de países como a Nigéria e a República Democrática do Congo mostra que o uso desproporcional da força e a coerção como método de recolha de informação sobre os terroristas apenas agravam o problema”, observou.
Como solução, propõe uma mudança radical na forma de actuação junto das comunidades, sustentada no respeito e empatia para com a população.
“Uma actuação integral e humana, com profundo respeito pela dignidade da pessoa, capaz de promover a confiança das populações afectadas pelo terrorismo, constitui, a seu ver, uma das estratégias mais eficazes para a erradicação do fenómeno”, concluiu. Redacção
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Caetano eugénio José
Agosto 26, 2025 at 6:52 am
Concordo com esta analise, mas tambem reitero o esferço na educacao sivica e moral no tecido interventivo no campo operacional como uma das estrategias para a persuacao da politica de combate ao terrorismo.