POLÍTICA
Chapo denuncia injustiça sanitária global e anuncia Sistema Nacional de Rastreamento de Medicamentos
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, destacou esta quarta-feira (30), em Maputo, o peso desproporcional das doenças no continente africano, denunciou a dependência extrema da importação de medicamentos e alertou para os impactos devastadores da circulação de medicamentos falsificados na saúde pública.
O Chefe do Estado falava durante a abertura da Conferência Internacional sobre Produção Local, Investigação e Desenvolvimento de Medicamentos e Produtos de Saúde, onde sublinhou que África carrega cerca de 25% da carga global de doenças, mas conta com menos de 1% da produção farmacêutica mundial.
“A pandemia da COVID-19 expôs de forma dramática as fragilidades do sistema global. A África foi forçada a esperar por vacinas, enquanto os países produtores priorizavam as suas necessidades internas”, afirmou Chapo.
Entre os anúncios mais relevantes, o Presidente revelou o início da implementação oficial do Sistema Nacional de Rastreabilidade de Medicamentos e Produtos de Saúde, uma plataforma digital que permitirá acompanhar cada lote de medicamentos “desde a fábrica até ao paciente”.
“Este sistema, globalmente conhecido como Track & Trace, irá permitir acompanhar cada lote de medicamentos, desde a fábrica até ao paciente, contribuindo para o uso racional de medicamentos”, explicou o Chefe do Estado.
“É um sistema que permitirá fazer poupanças não só para o Estado Moçambicano, mas também para todas as indústrias locais, importadoras, farmácias e outros intervenientes no processo da logística de medicamentos, uma vez que todos passarão a ter visibilidade dos seus stocks ao longo da cadeia de distribuição.”
O sistema visa combater o contrabando, o desvio e a contrafacção de medicamentos — um fenómeno que, segundo dados das Nações Unidas, provoca cerca de 500 mil mortes anuais em África, sendo mais de metade causadas por antimaláricos e antibióticos falsificados.
O Presidente reafirmou o compromisso de Moçambique com a soberania sanitária e com o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional, como parte da estratégia para garantir o acesso universal e seguro aos medicamentos essenciais. Faizal Raimo
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