SOCIEDADE
Mais de 4 milhões de crianças vacinadas contra a pólio em Nampula
A campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, realizada de 2 a 6 de Junho, superou as expectativas na província de Nampula, onde mais de 4 milhões de crianças com menos de 10 anos foram imunizadas, segundo revelou esta quarta-feira (11) o chefe do Departamento de Saúde Pública, Geraldino Avalinho.
“Prevíamos vacinar pouco mais de 3.600.000 indivíduos com idade inferior a 10 anos, mas conseguimos vacinar um pouco mais de 4.000.000, o que representa uma diferença positiva de cerca de 350.000 crianças alcançadas”, destacou Avalinho, sublinhando que o resultado demonstra uma crescente consciência da população sobre a importância de proteger as crianças.
Apesar do sucesso numérico, a campanha enfrentou desafios significativos, incluindo recusas, desinformação e obstruções em algumas comunidades. “Tivemos zonas onde a população erguia barricadas, impedindo o acesso das nossas equipas até à última milha. Houve também recusas sem causa específica, motivadas por desinformação ou crenças religiosas”, denunciou o responsável.
Distritos como Larde, Moma, Malema e Nacarôa foram identificados como zonas de maior resistência. Em Malema, algumas seitas religiosas influenciaram a recusa da vacina, enquanto em Nacarôa houve famílias que justificaram a não participação na campanha com a ausência de apoio humanitário após os ciclones. “A província de Nampula é uma das que apresenta maior índice de desinformação a nível nacional”, lamentou Avalinho.
Para superar esses obstáculos, o sector da saúde recorreu a estratégias criativas, como a vacinação porta-a-porta em horários nocturnos, o uso de equipas sem coletes identificativos em zonas sensíveis e a coordenação com escolas para alcançar crianças que não podiam ser vacinadas em casa. “Compreendemos que havia crentes que não podiam tomar a vacina publicamente, mas aceitavam em privado. Então, as nossas equipas actuavam com discrição”, explicou.
Mais de 11 mil pessoas estiveram envolvidas directamente na campanha em Nampula, organizadas em 3.900 equipas compostas por vacinadores, mobilizadores e registadores. A vacina foi administrada em postos fixos, unidades sanitárias, escolas, creches e em visitas comunitárias.
“Não registámos efeitos adversos de interesse. Houve apenas alguns casos isolados de náuseas e vómitos, mas dentro do esperado”, garantiu Avalinho, esclarecendo que, nos casos de vómito antes dos 30 minutos, a dose era repetida.
Segunda ronda da campanha arranca em Julho e deve repetir sucesso da primeira
Segundo Geraldino Avalinho, a segunda ronda da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite está prevista para Julho, com a mesma meta de alcançar mais de 4 milhões de crianças em Nampula. “Todas as crianças que tomaram a vacina na primeira ronda devem voltar a tomá-la para reforçar o sistema imunológico. Quanto mais doses, mais forte é a protecção”, apelou.
Apesar de ainda não haver datas exactas, o apelo à população é claro: “Não deixem para a última hora. As equipas vão voltar às comunidades e os centros de saúde continuarão a oferecer a vacina para quem não foi alcançado.”
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