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ECONOMIA

Jornalismo em Nampula afunda na precariedade: classe exige acção urgente do SNJ

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Num contexto em que os jornalistas moçambicanos enfrentam múltiplos obstáculos no exercício da sua profissão, torna-se cada vez mais urgente a adopção de acções concretas que os protejam da precarização salarial, das ameaças à liberdade de expressão, do assédio e da contínua desvalorização da classe.

Foi com esse espírito de reflexão que, na última Sexta-feira (11.04), profissionais da comunicação social reuniram-se nas instalações da Direcção Provincial das Obras Públicas, em Nampula, para celebrar o Dia do Jornalista. O encontro contou com a presença de jornalistas seniores, juniores e estudantes da Escola Comunitária Santa Isabel, que inclui o curso de jornalismo no seu currículo.

Entre os temas debatidos, destacou-se a necessidade de reforçar o papel do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), sobretudo na sua actuação preventiva e contínua em defesa dos direitos dos profissionais. Gabriel Medina, advogado e assessor jurídico que presidiu a palestra, sublinhou que o SNJ precisa ir além das celebrações simbólicas.

“O que se observa é uma certa inércia diante das ilegalidades que ocorrem nas empresas de comunicação social. A actuação do SNJ deve ser aprimorada e não se limitar a datas comemorativas como esta. A defesa dos direitos dos jornalistas deve ser permanente, permitindo que tanto os profissionais experientes como os recém-formados ou ainda em formação compreendam os seus direitos e saibam como exigi-los dos seus empregadores”, destacou Medina.

Outro ponto central da discussão foi a falta da carteira profissional, cuja ausência tem deixado os jornalistas em situação laboral vulnerável. Sem este documento oficial, muitos profissionais actuam sem qualquer garantia legal, o que dificulta, inclusive, a distinção entre jornalistas qualificados e indivíduos que se fazem passar por profissionais da área, comprometendo a credibilidade da imprensa nacional.

“Os jornalistas devem lutar pela carteira profissional. Esta é uma profissão como qualquer outra — tal como a dos médicos, engenheiros ou advogados — que têm reconhecimento legal e um estatuto próprio. O SNJ precisa intensificar os seus esforços nesse sentido, mas esta luta deve ser de todos”, alertou Medina.

Adina Amade, jornalista com 11 anos de experiência, actualmente vinculada ao jornal Ikweli, considerou a palestra extremamente oportuna. Para ela, a fragilidade das relações contratuais é um dos maiores desafios enfrentados pela classe em Nampula.

“A relação laboral ainda é muito frágil. Lidamos com contratos precários e, em muitos casos, com profissionais que trabalham sem qualquer vínculo formal. Esta foi uma oportunidade para compreendermos melhor os passos necessários na negociação de contratos de trabalho, o que nos fortalece como profissionais e nos prepara melhor para as exigências do mercado”, referiu.

Apesar dos desafios, Rosa Inguane — decana do jornalismo moçambicano, em exercício na  Agência de Informação de Moçambique — vê com optimismo a actual conjuntura da comunicação social em Nampula.

“Há um facto que me deixa muito alegre: nos últimos 10 a 12 anos, temos visto cada vez mais pessoas interessadas em fazer jornalismo, e, na mesma proporção, cresceu o número de órgãos de comunicação na província. Hoje temos rádios, televisões e jornais locais que foram surgindo e sendo alimentados por pessoas da própria Nampula. Tanto os jovens como os mais experientes vêm trabalhando para melhorar a qualidade do que oferecem, e é gratificante saber que aquilo que se diz sobre Nampula está a ser feito em Nampula”, concluiu. Daniela Caetano

 

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