SOCIEDADE
Nampula projecta construção do Hospital Materno-Infantil para descongestionar o sistema de saúde
A província de Nampula planeia a construção de um novo Hospital Materno-Infantil, um projecto considerado prioritário pelas autoridades de saúde para aliviar a sobrecarga no Hospital Central de Nampula, actualmente o único hospital de nível quaternário da região.
Recentemente, durante a apresentação do balanço quinquenal dos Serviços Provinciais de Saúde, realizada no âmbito da visita do Secretário de Estado à província de Nampula, a directora do Serviço provincial da Saúde, Munira Abudou, revelou que a província já dispõe do terreno e da planta aprovados para a construção de um novo hospital. Falta apenas o financiamento.
“Temos tudo preparado: o terreno está junto ao Hospital Central de Nampula e a planta do novo hospital já foi aprovada. O que nos falta é orçamento”, afirmou a responsável.
O objectivo principal da nova unidade é descongestionar os serviços de maternidade do Hospital Central, que enfrenta uma elevada procura. “Só ontem, como a Excelência pôde ver, tivemos entre 30 a 40 partos num único dia. Isto, só neste hospital. Se olharmos para toda a cidade de Nampula, a situação é um caos”, alertou.
A futura infra-estrutura será especializada no atendimento a mulheres e crianças, respondendo à crescente necessidade de cuidados obstétricos e pediátricos qualificados. Actualmente, a província conta com 250 unidades sanitárias, das quais apenas 89% têm serviços de maternidade, muitas vezes limitados em recursos humanos e técnicos.
Munira Abudou enfatizou que “a saúde materna precisa ser reforçada urgentemente” e destacou a importância do apoio financeiro para a materialização do projecto. A construção do hospital também deverá promover a humanização no atendimento e melhorar os indicadores de saúde materno-infantil na província.
Nampula tem um médico para cada 17 mil habitantes:
A província de Nampula enfrenta um grave défice de médicos, com apenas um médico para cada 17.287 habitantes, número quase o dobro do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que aponta para um rácio ideal de 1 médico por cada 10 mil habitantes.
“O nosso rácio actual é de 17.287 habitantes por médico. O ideal seria 10 mil. Estamos muito longe daquilo que seria aceitável para garantir um sistema de saúde funcional e digno”, lamentou a directora provincial de Saúde durante a apresentação do plano quinquenal.
Com uma população estimada em 6 milhões de habitantes, Nampula precisaria, no mínimo, de mais 441 unidades sanitárias e de 16.132 novos profissionais de saúde para garantir cobertura eficaz, caso cada unidade atendesse até 10 mil habitantes. No cenário ideal de 7.500 habitantes por unidade, o número necessário de profissionais sobe para 21.679.
Actualmente, a província conta com 10.518 profissionais de saúde, distribuídos de forma desigual. Segundo a directora, 45% desses trabalhadores actuam no nível primário e secundário, enquanto os restantes estão em hospitais terciários, quaternários e sectores administrativos. “O ideal seria termos 85% destes profissionais nos níveis primário e secundário, que é onde estão a maioria dos pacientes”, acrescentou.
O fosso entre a procura populacional e a capacidade do sistema agrava-se à medida que a população cresce, o que coloca em causa a sustentabilidade dos serviços. “Estamos no limite. Temos de nos perguntar: vamos continuar a crescer ou vamos controlar a nossa taxa de natalidade?”, questionou a responsável. Faizal Raimo
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