ECONOMIA
SoldMoz quer Banco de Desenvolvimento livre de influência política
A Solidariedade Moçambique (SoldMoz) considera positiva a criação da Comissão Constitutiva do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, mas alerta que a futura instituição deve nascer com independência, transparência e foco exclusivo no interesse nacional.
A posição foi defendida pelo director da SoldMoz, António Mutoua, que considera fundamental evitar que o projecto repita erros do passado.
Mutoua recordou que, no ano passado, o Ministério das Finanças promoveu um debate nacional sobre o modelo de banco que o país necessita. Segundo explicou, a principal recomendação foi clara: a instituição não pode nascer politizada.
“Nós participámos no debate nacional e demos opiniões sobre que banco queremos para Moçambique. Esta comissão deve escrutinar todas aquelas contribuições e trabalhar na perspectiva do interesse nacional”, afirmou.
O dirigente alertou que Moçambique já conheceu instituições financeiras que faliram por falta de independência e excesso de interferência política. “Nós sabemos que alguns bancos que passaram por aqui faliram e eram vacas leiteiras de alguns políticos. Este banco tem de ser diferente”, sublinhou.
Para a SoldMoz, a estrutura accionista e a gestão do futuro banco devem assentar em critérios técnicos e transparentes. “Não queremos um banco de políticos. Queremos um banco de desenvolvimento de Moçambique, um banco do amanhã”, reforçou.
Apesar das reservas, Mutoua mostrou-se optimista quanto ao actual momento político e económico do país. “Os tempos não são iguais. O país tem outra maneira de pensar e de estar. Acredito que o banco não vem resolver o problema de um mandato, vem resolver problemas de Moçambique”, declarou.
O responsável advertiu, no entanto, que a criação do banco não produzirá efeitos imediatos. “Não significa que no mesmo dia vai resolver problemas. Temos processos, precisamos de capital, financiamento e dinheiro para começar”, explicou.
A SoldMoz entende que a comissão agora criada tem a responsabilidade de consolidar as ideias recolhidas no debate nacional e garantir que o projecto seja estruturado com base técnica sólida e visão de longo prazo. “O apelo é que haja seriedade. Precisamos sair do marasmo em que estamos. Iniciativas dessas podem salvar Moçambique”, concluiu António Mutoua.
Fundo Soberano pode apoiar capitalização do banco
Durante a sua intervenção, António Mutoua sugeriu que o Fundo Soberano, alimentado pelas receitas da indústria extractiva, possa vir a ser um dos pilares de sustentação do futuro Banco de Desenvolvimento.
“Uma das premissas do Fundo Soberano é resolver problemas de hoje e de amanhã. Quem sabe o fundo pode ser accionista deste banco”, defendeu.
Segundo o dirigente, a articulação entre o Fundo Soberano e o novo banco poderá garantir maior estabilidade financeira e reforçar a capacidade de financiamento de projectos estruturantes para o desenvolvimento económico do país.Vânia Jacinto
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