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POLÍTICA

Secretário de Estado convida igrejas a reforçarem papel na pacificação pós-eleitoral

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Nampula, 26 de Maio de 2025 – Numa conversa carregada de simbolismo e apelo ao reencontro social, o Secretário de Estado da província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, pediu apoio directo às igrejas para ajudarem o Governo a “recuperar as ovelhas perdidas”, numa clara alusão aos cidadãos envolvidos em actos de vandalismo e desinformação durante e após o processo eleitoral.

“As pessoas que vandalizam centros de saúde, espalham boatos sobre a cólera, ou destroem escolas, são nossos irmãos, nossos filhos, são cidadãos. São ovelhas que, de alguma forma, se perderam. E precisamos de ir buscá-las, como ensina a própria fé. É aqui que a igreja entra com o seu poder moralizador”, afirmou.

O governante falava durante um encontro com representantes das igrejas pentecostais de Nampula, realizado nesta segunda-feira (26 de Maio), no qual convidou as confissões religiosas a reforçarem o seu papel na pacificação social e na reconstrução de valores morais, num momento que classificou como “delicado e desafiador” para a província.

“Estamos a viver tempos difíceis. E pergunto: onde é que todos nós falhámos? A família? A igreja? A escola? A sociedade?”, questionou Plácido Pereira, apelando à reflexão conjunta sobre as raízes da violência e do desrespeito pelos bens públicos. Segundo o dirigente, é urgente recuperar a autoridade ética da igreja para reeducar os cidadãos e devolver sentido à convivência pacífica.

“As igrejas sempre nos ensinaram a separar o bem do mal. Crescemos a ouvir o que é pecado. Mas agora, pecam sabendo que é pecado. Há um vazio moral que precisa ser preenchido. E a igreja tem um papel essencial nesse resgate”, reforçou.

Foto de ocasião: Secretário de Estado da Província de Nampula em encontro com representantes das igrejas pentecostais.

Plácido Pereira sublinhou que não se trata de pedir algo novo às igrejas, mas sim reconhecer e apoiar o trabalho que já desenvolvem nos bairros, nos postos administrativos, nas comunidades. “Contamos convosco. Precisamos continuar a educar, a formar, a evangelizar com foco na reconciliação, na paz e na reconstrução do tecido social”, afirmou.

O Secretário de Estado destacou ainda que tem feito questão de visitar pessoalmente diversas confissões religiosas desde que assumiu funções, incluindo a Igreja Católica, o Conselho Islâmico, o Iurbe, entre outros, como forma de reforçar os laços entre o Estado e as instituições de fé.

“Estamos abertos a ouvir os vossos conselhos e ideias. A paz não se impõe por decreto — constrói-se todos os dias, com cada gesto, cada palavra, cada ensinamento”, declarou.

No mesmo encontro, o Bispo Celestino Cariaco, presidente da União das Igrejas Pentecostais de Moçambique, garantiu que as igrejas estão firmes no seu compromisso de promover a paz e a reconciliação. “Estamos a mobilizar os nossos crentes para que escolham sempre o caminho da convivência, da não-violência e da solidariedade. A igreja está presente para construir pontes, não muros”, afirmou.

O encontro acontece numa fase em que a província de Nampula vive um período sensível, marcado por episódios de vandalismo, tensão social e circulação de desinformação. Para o governo e as igrejas, o desafio agora é unir esforços para resgatar os valores essenciais da comunidade, reeducar consciências e pacificar corações. Faizal Raimo

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1 Comment

1 Comment

  1. José Luzia

    Maio 26, 2025 at 7:25 pm

    Discursos bonitos, sem dúvida. Acho sintomático que a reunião tenha sido SÓ com as igrejas pentecostais. Sim, aquelas que no Brasil apoiaram o Bolsonaro claramente inimigo dos pobres; e nos EEUU apoiaram o criminoso Trump, conivente no massacre do povo palestiniano.
    Vejo que secretário estado Plácido sabe bem a catequese. Mas esqueceu-se de pedir desculpa pela violência que a UIR semeou nas manifestações pacíficas e que os vândalos pagos por gente da Frel tornaram ainda mais violentas.
    Como disse aquele pastor no culto ecuménico no Maputo convocado pelo pr Chapo, para haver reconciliação genuína tem de haver confissão dos pecados. Foi esta confissão que a Frelimo até agora não fez. Claro!

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