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OPINIÃO

O líder que mata carreiras sem arma

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Há chefes que não comandam equipas, comandam fofocas. Lideram não com visão, mas com o ouvido colado ao corredor; não com justiça, mas com a ansiedade de saber o que os “meninos bonitos” andam a dizer sobre os outros. São chefes que vivem de bisbilhotices, alimentam intrigas e transformam o local de trabalho num mercado de boatos, onde a verdade é a mercadoria mais rara.

O perigo começa quando o líder troca a responsabilidade de governar pela curiosidade tóxica de escutar. Em vez de analisar, acredita. Em vez de confirmar, repete. Em vez de reunir as partes, sentencia.

E assim nasce um tipo de chefe perigoso: o chefe fofoqueiro, que transforma a palavra dos seus bajuladores em evangelho canónico, como se os corredores fossem tribunais e os boateiros fossem juízes infalíveis.

O resultado é devastador. Histórias falsas tornam-se narrativas oficiais. Calúnias ganham estatuto de verdade. Reputações são assassinadas com a mesma frieza com que se manda um e-mail. O colaborador inocente torna-se inimigo interno; o difamador torna-se “homem de confiança”.

É triste ver chefes que, em vez de apreciar competências, apreciam mexericos. Líderes que se deixam manipular por colaboradores que vivem a cheirar vidas alheias, vasculhando horários, conversas, amizades e até a vida privada dos colegas, tudo para aparecerem como “fiéis”, “leais” e “informados”. E o chefe, cego e sedento de confirmações, cai no jogo como criança enganada por doce.

O local de trabalho, nesses casos, adoece. Cria-se um ambiente onde ninguém confia em ninguém, onde se trabalha com medo, onde a verdade tarda e a injustiça cresce. Pessoas competentes são queimadas em fogueiras de boatos, enquanto os falsos bajuladores sobem na carreira como se a fofoca fosse qualificativo profissional.

Pior ainda: um chefe que acredita em boatos transforma-se num disseminador de violência psicológica. Porque calúnia não é brincadeira, é assassinato de carácter. Uma vez dita, a mentira não volta ao estado original. Ela mancha, corrói, destrói, envergonha.

É preciso dizer, com todas as letras: chefe que não apura factos antes de agir não é líder; é cúmplice da injustiça. E, no dia a dia das instituições públicas e privadas, religiosas ou laicas, a injustiça praticada por quem manda tem o poder de destruir carreiras, adoecer famílias e matar sonhos.

Um líder digno de respeito não se alimenta de fofocas. Um líder verdadeiro chama as partes, ouve, questiona, confirma. Um líder sério sabe que reputação é património humano, não pode ser jogada ao lixo por causa de um mexerico barato.

Num serviço público de Inhambane, um técnico exemplar foi acusado por um colega fofoqueiro de “sair cedo demais e fazer trabalhos paralelos durante o horário”. O chefe, sem investigar, espalhou na reunião do sector que o técnico era “irresponsável e indisciplinado”.

A história correu pela instituição inteira. Só semanas depois se descobriu que o tal “fofoqueiro” queria o lugar da vítima e inventou tudo. O chefe nunca pediu desculpas. O técnico, humilhado, pediu transferência. O departamento perdeu o seu melhor profissional porque o líder preferiu ouvir boatos em vez de ouvir a verdade.

Chefe fofoqueiro não lidera, destrói. Assassina reputações, alimenta intrigas, fragiliza equipas. O país precisa de líderes que valorizem a verdade, a justiça e a dignidade, não de chefes que governam com a língua dos outros. Porque no ambiente laboral, a fofoca não é apenas ruído: é veneno. E quando o veneno vem da liderança, toda a instituição adoece. E mais não disse!

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