ECONOMIA
Mussa Bin Bique cria gabinete secreto para denúncias após escândalo de assédio sexual
A Universidade Mussa Bin Bique (UMBB), em Nampula, anunciou esta terça-feira(18) a criação de um gabinete permanente, sigiloso e composto exclusivamente por mulheres para recolha de denúncias de assédio sexual.
A medida surge uma semana depois de o Rigor ter revelado, numa investigação inédita, a existência de uma alegada rede de docentes que utilizaria o poder académico para assediar e chantagear estudantes, sobretudo na Faculdade de Ciências Agrárias.
As denúncias, feitas ao Rigor sob anonimato, descrevem um padrão de assédio sistemático: docentes que criam dificuldades propositadas nas avaliações, solicitam contactos telefónicos e exigem relações sexuais em troca de aprovação.
Estudantes afirmam ainda que existe uma “rede” de professores coniventes entre si, que partilham alunas como alvos e retaliam com reprovações quando as vítimas recusam ceder.
Hoje, diante da pressão pública gerada pela reportagem, o Vice-reitor da UMBB, Mussena Amade Abdala, admitiu que a direcção só tomou conhecimento do escândalo através da matéria do Rigor, classificando as revelações como “surpreendentes” e “graves”.
Segundo o dirigente, a universidade convocou encontros com estudantes de todas as faculdades para ouvir preocupações, encorajar denúncias e assegurar protecção às jovens que falaram com o jornal.
O gabinete agora criado funcionará sob coordenação directa da Reitoria e foi inicialmente proposto por alunas da própria Faculdade de Ciências Agrárias. A direcção garante que o espaço terá “grau máximo de confidencialidade”, para que as vítimas possam relatar casos sem medo de represálias.
Apesar da criação do gabinete, o reitor afirmou que a universidade ainda não recolheu provas internas e pediu ao Rigor que revele as suas fontes — pedido que contraria o sigilo profissional jornalístico. “Pedimos ao Rigor, que tem as fontes, para nos ajudar a localizar essas pessoas e cortar o mal pela raiz”, declarou.
Durante a conferência, a UMBB revelou também que expulsou, no início do ano, quase toda a liderança da Faculdade de Ciências Agrárias por práticas antiéticas, incluindo cobranças ilícitas a estudantes.
A direcção assegura que, caso as denúncias sejam confirmadas, todos os envolvidos serão responsabilizados administrativa e criminalmente. “Essas pessoas não podem permanecer na universidade. Têm de ser denunciadas e responsabilizadas pelo mal que fazem”, afirmou o reitor. Vânia Jacinto
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