SOCIEDADE
Igreja Católica continua sem reaver terrenos invadidos em Nampula
O arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, informou esta quarta-feira (03) que, apesar de decisões judiciais e várias diligências institucionais, a Igreja Católica continua sem reaver os terrenos que lhe pertencem e que permanecem ocupados ilegalmente.
Entre os espaços invadidos, destacou o Seminário Propedêutico Mater Apostolorum, o Seminário Interdiocesano de Filosofia, a Paróquia de São João Baptista de Marrere e o Mosteiro Mater Dei. “Houve destruição de muros, derrube de cajueiros, culturas agrícolas e até transporte de madeira em camiões”, denunciou, frisando que os prejuízos se agravam a cada dia.
Segundo Dom Inácio, uma providência cautelar emitida pelo Tribunal em Maio de 2025 continua sem execução. “Tenho aqui a cópia. Os oficiais de diligência enviados ao local foram escorraçados pelos ocupantes, não podendo realizar a sua missão”, revelou.
O prelado recordou que já apelou às autoridades municipais, ao governador da província, Eduardo Abdula, e às instâncias judiciais, mas até hoje não houve qualquer devolução. Citou ainda outros patrimónios sem restituição, como a infraestrutura onde funciona a Universidade Rovuma, em Napipine, e o Hospital Geral de Marrere, construído pela Igreja mas actualmente gerido quase sem a sua participação.
Visivelmente frustrado, Dom Inácio questionou a eficácia do sistema judicial: “Parece que alguém quer fazer de Moçambique uma aldeia sem lei. A lei já não serve nesta terra. Temos um tribunal que já deliberou, mas nada acontece. Quer dizer que o tribunal não tem poder? Não tem competência?”
O arcebispo apontou ainda a “recusa obstinada” dos ocupantes em abandonar os terrenos, admitindo que possam estar a ser protegidos por “uma mão invisível de poderosos, de intocáveis”.
Apesar do impasse, garantiu que a Igreja continuará a privilegiar vias pacíficas e rejeitou qualquer recurso à violência, reiterando que, se necessário, devem ser usados meios coercivos legais para repor a justiça.
Dom Inácio esclareceu que convocou a imprensa para lançar um apelo público à consciência colectiva, dentro e fora do país, sublinhando que a situação ameaça transformar Moçambique numa “aldeia sem lei” e exige uma resposta urgente das autoridades. Vânia Jacinto
-
SOCIEDADE7 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
CULTURA2 anos atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
DESPORTO2 anos atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
POLÍTICA12 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
ECONOMIA11 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
