ECONOMIA
Haiyu investe mais de 14 milhões de meticais em sanitários públicos em Angoche
Governo diz que o investimento vai resolver o fecalismo e reduzir doenças diarreicas no bairro de Inguri
A empresa mineira Haiyu está a reforçar o seu compromisso com o bem-estar das comunidades no distrito de Angoche, província de Nampula, através da construção de dez sanitários públicos no bairro de Inguri. A acção, enquadrada no seu plano de responsabilidade social, representa um investimento significativo de 14.628.731,15 meticais e foi reconhecida pelo Governo como uma medida crucial para eliminar o fecalismo a céu aberto e reduzir substancialmente os casos de doenças diarreicas na região.
Segundo o director distrital da Saúde, Agostinho Macuenda, o bairro de Inguri enfrenta há vários anos sérias limitações no acesso a saneamento adequado, agravadas por condições geofísicas que impedem a construção de latrinas domésticas. “Basta escavar poucos metros para encontrar água, o que torna inviável a construção de latrinas. A população, sem alternativas, recorre ao fecalismo a céu aberto, o que agrava os riscos de saúde pública, principalmente durante a época chuvosa”, explicou.

Agostinho Macuenda
Nos últimos dois anos, Inguri registou o maior número de casos de doenças de origem hídrica em todo o distrito. O Governo distrital vê neste investimento da Haiyu uma solução prática e duradoura para um problema que há muito preocupa as autoridades sanitárias. “Este é um gesto que merece ser destacado. Vai resolver um dos principais focos de transmissão de doenças no nosso distrito, melhorando não só o saneamento, mas também a saúde e a dignidade das famílias”, afirmou Macuenda.
A construção dos sanitários públicos irá garantir o acesso a infra-estruturas seguras e higiénicas, contribuindo directamente para a prevenção de surtos de cólera e outras doenças. A iniciativa demonstra o compromisso da Haiyu com a promoção da saúde preventiva e com a melhoria das condições de vida nas comunidades onde opera.
Com este gesto, a Haiyu reafirma-se como uma empresa socialmente responsável, capaz de transformar desafios comunitários em soluções concretas e sustentáveis. A acção em Inguri é vista como um modelo de parceria entre o sector privado e o público, com resultados imediatos na saúde e qualidade de vida da população.
Inguri espera por mudança de vida com construção de sanitários

Mavula Sualem Raja
Moradores de Boleia em Inguri, no Município de Angoche, manifestam grande expectativa em relação à construção de dez sanitários públicos pela empresa Haiyu, no âmbito da sua responsabilidade social. A iniciativa é vista como uma resposta directa a uma necessidade básica há muito sentida: o acesso a saneamento seguro e digno.
Mavula Sualem Raja, residente local, descreve a situação actual como insustentável. “Actualmente fazemos as nossas necessidades biológicas no mangal, porque não temos sanitários nas nossas casas. É uma alternativa desagradável, mas não temos escolha. Quando cavamos para construir latrinas, encontramos água logo nos primeiros metros, o que torna impossível para pessoas de baixa renda”, explicou.
Segundo Mavula, a escolha pela construção de sanitários partiu da própria comunidade, durante uma consulta participativa. “Optámos pelas latrinas porque sabíamos que é o que mais precisamos. Estamos cansados de doenças de barriga, de malária provocada pelos mosquitos. Todos os dias choramos com isso. Esperamos que, com estas construções, a nossa vida mude de verdade.”
A comunidade espera que, com o acesso a sanitários públicos, o fecalismo a céu aberto deixe de ser a única alternativa e, como resultado, se reduza a incidência de doenças que afectam de forma recorrente estas zonas periféricas.
“Estes sanitários vão mudar a vida do nosso bairro” — diz secretário de Boila sobre investimento da Haiyu

Eusébio Luiz Cássimo
O secretário do bairro de Boleia em Inguri, Eusébio Luiz Cássimo, vê com esperança e sentido de responsabilidade a construção de dez sanitários públicos pela empresa Haiyu, no âmbito do seu plano de responsabilidade social. Segundo ele, esta acção responde directamente a uma das preocupações mais antigas da comunidade: a falta de alternativas seguras para as necessidades fisiológicas, situação que obrigava os moradores a recorrer ao fecalismo a céu aberto, sobretudo nas margens do mangal.
“Escolhemos os sanitários porque o problema era grave. As pessoas não tinham onde fazer as suas necessidades e acabavam por fazê-lo ao ar livre, o que prejudicava a saúde da nossa comunidade. Todos os anos registávamos casos de cólera aqui. Agora acreditamos que, com esta iniciativa, esse problema vai começar a ser resolvido”, explicou o líder comunitário.
Eusébio destaca o envolvimento activo da comunidade na escolha dos locais onde os sanitários estão a ser instalados, o que, segundo ele, garante maior sentido de pertença e maior probabilidade de uso efectivo. “Foi a comunidade quem escolheu os locais. Quando uma coisa vem de cima para baixo, sem escutar o povo, é difícil ser aceite. Mas neste caso, os sanitários obedecem à vontade do povo, e isso é importante para que sejam bem usados.”
Além de acompanhar a implementação das obras, o secretário tem estado empenhado em mobilizar a população para compreender o valor da higiene e adoptar boas práticas de saneamento. “Em cada encontro comunitário, em cada comício, eu falo sobre isso. Explico que os sanitários são para nós usarmos com responsabilidade. Se fizermos a nossa parte, a cólera e outras doenças vão diminuir.”

Sanitário em fase avançada de construção no recinto da Escola Primária de Boila
Com um olhar pragmático e comprometido, Eusébio acredita que esta acção da Haiyu representa uma viragem positiva na vida dos moradores de Boleia. “É uma mudança grande. Não é só construção. É prevenção. É saúde. É dignidade. Vamos cuidar bem destes sanitários, porque eles são nossos. Foram escolhidos por nós e serão usados por nós.”
Para o secretário, o futuro do bairro passa também por parcerias que respeitam e envolvem a comunidade. E, nesse sentido, considera a actuação da Haiyu um exemplo a seguir. “Quando a empresa escuta a comunidade, as soluções funcionam. E isso é o que precisamos: acções que resolvam, com o povo dentro.” Redacção
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