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POLÍTICA

Governo de Nampula “patenteia” administradores como generais de combate à corrupção

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Em tempos de alarme ético nos corredores da administração pública, o Governo de Nampula decidiu transformar os seus administradores distritais em verdadeiros “generais” de uma nova frente de combate: a guerra contra a corrupção.

Durante a sétima sessão ordinária dos Serviços de Representação do Estado, os 23 administradores distritais da província receberam um chamado claro e inadiável: deixar de ser apenas gestores territoriais e assumirem-se como guardiões da integridade pública.

“Viemos, nesta sétima sessão, para, fundamentalmente, sensibilizar para o cumprimento efectivo das funções e desencorajar a prática de actos de corrupção. E, para além da sensibilização, reforçar o papel de prevenção, tendo os dirigentes locais como peças-chave nesta empreitada. O gabinete fará a articulação necessária para futuras capacitações de observadores públicos ao nível dos distritos”, declarou Aristides Manuel Maizana, chefe do Departamento Técnico de Prevenção do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção, que conduziu a formação.

Segundo Maizana, a sessão visou despertar a consciência dos dirigentes sobre o seu papel central na moralização da função pública.

Dados partilhados pelo gabinete mostram que a Cidade de Nampula e o município de Nacala lideram as estatísticas de denúncias, com destaque para crimes como simulação de competência, corrupção activa e corrupção passiva. Os sectores mais afectados são a saúde, a educação e a polícia.

“A corrupção mina o desenvolvimento. E quando se infiltra nos serviços básicos, quem mais sofre é o cidadão comum. Precisamos de dirigentes que não apenas saibam gerir, mas saibam resistir”, reforçou Graciano Francisco, porta-voz dos Serviços de Representação do Estado.

A sessão não poupou críticas nem omissões: foram abordadas práticas de má conduta administrativa, incluindo a mobilidade irregular de funcionários entre distritos, muitas vezes em fuga de zonas tensas, sem respeitar os trâmites legais. “Isto é má conduta administrativa. E não podemos continuar a tratar desvios como se fossem simples descuidos”, alertou Francisco.

No encerramento, ficou a promessa de que o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção irá expandir estas capacitações aos observadores públicos nos distritos, numa tentativa de criar uma rede de sentinelas da legalidade. Vânia Jacinto

 

 

 

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