ECONOMIA
Governador de Nampula apela à solidariedade em Eráti e mobiliza ajuda urgente para deslocados de Memba
O governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, que se encontra de visita ao distrito de Eráti, apelou esta terça-feira à população do posto administrativo de Alua para acolher com solidariedade as famílias deslocadas que fugiram dos ataques terroristas registados recentemente no distrito de Memba. As comunidades de Chipene, Mazua e Majuco foram alvo de incursões violentas de insurgentes que atravessaram a fronteira entre Cabo Delgado e Nampula, provocando mortes, destruição e uma fuga massiva de residentes.
Diante de centenas de deslocados que dormem ao relento, o governador — amplamente conhecido como “Tio Salimo” — apelou à união e ao espírito comunitário de Alua. “Peço que recebam bem os nossos irmãos. Estão a sair de uma situação de sofrimento profundo. Eu vivi aqui perto, no regulado Saide, e aprendi que quem vem de longe deve ser bem recebido”, afirmou, numa intervenção marcada pela emoção e proximidade com as famílias afectadas.
Muitas das famílias chegaram a Eráti depois de caminharem quilómetros para escapar à violência. As autoridades estimam que grande parte dos deslocados perdeu casas, bens e familiares — incluindo casos de decapitações e desaparecimentos forçados. Sem abrigo, muitos dormem debaixo de cajueiros, com crianças de colo, enquanto apelam por comida e protecção.
Perante o cenário de desespero, Eduardo Abdula garantiu que estão a ser mobilizadas tendas, alimentos e outros meios de assistência imediata. “Vão chegar tendas, estão a trazer. Comidas também estão a trazer. Hoje vem pouco, mas nos próximos dias virá em quantidade”, assegurou, reiterando que nenhum deslocado regressará ao distrito de Memba enquanto a situação não estiver totalmente controlada. “Eu serei o primeiro a voltar ao terreno quando estiver seguro”, reforçou.
Ao dirigir-se às famílias instaladas em Alua, o governador orientou que as tendas sejam distribuídas prioritariamente às pessoas que perderam tudo e actualmente dormem ao relento. “Não temos muitas tendas. Vamos organizar primeiro para os que vieram e dormem debaixo das árvores. É a nossa prioridade, porque muitos chegaram sem nada e perderam parentes”, declarou.
O governante apelou ainda à vigilância comunitária, sublinhando que existem suspeitas de infiltrados entre a população. “Sabemos que aqui mesmo há alguns desses insurgentes. Vamos encontrá-los. Peço disciplina, calma e ordem para tratarmos bem este assunto”, alertou.
Enquanto aguardam a chegada de mais meios de apoio, os deslocados continuam à espera de alimentos e abrigo, tentando recompor-se do trauma dos ataques. A solidariedade das comunidades de Alua e a resposta urgente do Governo são, por agora, as únicas garantias de protecção numa crise humanitária que continua a evoluir.
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