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SOCIEDADE

Deslocados começam a regressar por fome antes do início formal do repatriamento

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O governador de Nampula, Eduardo Abdula, revelou esta terça-feira (02), em Nacarôa, que várias famílias deslocadas estão a abandonar o centro de Alua devido à falta persistente de alimentos, regressando às zonas de origem mesmo sem garantias plenas de segurança. A revelação foi feita durante a reunião com parceiros de cooperação, convocada precisamente antes do início oficial do repatriamento das populações afectadas pelos ataques armados em Memba e Eráti.

Segundo o governante, há famílias que afirmam nunca ter recebido comida desde que chegaram ao centro, situação que levou muitas a regressar por conta própria. “Muitos estão a ir embora porque a comida não lhes chega à mão. Para morrer de fome aqui, preferimos morrer de fome na zona de origem”, disse Abdula, manifestando preocupação com a falha na assistência humanitária. O governador alertou que esta saída desordenada impede o acompanhamento das equipas técnicas e fragiliza o processo de regresso, que deveria ser gradual, seguro e acompanhado de apoio psicológico. “Estas famílias perderam a esperança, perderam a fé. Alguns já pegaram as suas trochas e foram embora sem esperar pelas sessões de aconselhamento”, acrescentou.

Abdula explicou que o Governo e os parceiros já posicionaram medicamentos, tendas e kits básicos nas unidades sanitárias de Memba e Eráti, preparados para receber as famílias que regressam. Contudo, sublinhou que o retorno só será sustentável com apoio emocional adequado, devido aos traumas profundos vividos durante os ataques armados. Muitas pessoas, disse, assistiram à morte violenta de familiares, incluindo casos de decapitação, o que torna indispensável uma reintegração sensível e tecnicamente orientada. “Há famílias que estão traumatizadas e precisam de uma preparação psicológica muito bem feita”, alertou.

O governador destacou ainda que o regresso não poderá ser apenas logístico, mas também humano, envolvendo equipas multidisciplinares capazes de oferecer palestras, aconselhamento e informação clara sobre a segurança nas aldeias. Sem esta intervenção, advertiu, existe o risco de algumas famílias permanecerem indefinidamente em centros como Alua ou Melivo, mesmo quando as condições nas zonas de origem já estejam restabelecidas. Para Abdula, o apoio emocional é essencial para reconstruir a confiança perdida e garantir um regresso digno e seguro. Redacção 

 

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