SOCIEDADE
Dom Inácio Saure desafia profissionais católicos a assumirem fé no exercício da profissão
O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, desafiou este sábado (31) os profissionais católicos a darem um testemunho coerente da fé no exercício das suas actividades profissionais, defendendo o surgimento de novas associações profissionais católicas na Arquidiocese de Nampula.
O apelo foi lançado durante a homilia da cerimónia de abertura do Ano Pastoral dos movimentos eclesiais e associações católicas, realizada na Paróquia São Francisco Xavier, no bairro de Muahivire.
Na sua intervenção, Dom Inácio destacou a Associação dos Professores Católicos de Moçambique como uma presença “forte e organizada” na Arquidiocese, lançando, de seguida, um desafio directo para que outros profissionais sigam o mesmo caminho.
“Gostaria de lançar um pequeno desafio: por que não associações de profissionais da saúde, dos juristas católicos e de outras áreas, para que, à luz da fé, deem testemunho da sua profissão?”, questionou.
Segundo o prelado, a decisão dos movimentos e associações de iniciarem o ano pastoral com a celebração da Eucaristia é “verdadeiramente louvável”, por colocar nas mãos de Deus todas as actividades a serem realizadas ao longo do ano.
Dom Inácio Saure explicou que o Ano Pastoral 2025–2026 decorre sob o lema «Dai-lhes vós mesmos de comer», inserido no triângulo pastoral 2025–2028, que assume como horizonte a construção de “uma Igreja sinodal, autossustentável e com sentido de pertença”.
“Uma Igreja sinodal é uma Igreja em que caminhamos todos juntos. Este é o ano em que nos comprometemos a assumir, como Igreja local, uma legítima autonomia económica, realizando as nossas actividades com os nossos próprios recursos, na nossa pobreza e pequenez”, afirmou.
Ao comentar as leituras bíblicas proclamadas na celebração, o Arcebispo sublinhou que a fé cristã exige coerência, coragem e capacidade de enfrentar riscos, recordando que ser discípulo de Cristo implica atravessar “tempestades”, mesmo quando parece que Deus “está a dormir”.
Para Dom Inácio, os profissionais católicos são chamados a viver o Evangelho de forma concreta no local de trabalho, transformando a sociedade a partir do testemunho pessoal.
“Somos chamados a dar testemunho da nossa fé de uma maneira muito forte e muito radical, também na vida profissional”, concluiu.
Santidade como resposta à corrupção e à violência
Na mesma homilia, Dom Inácio Saure afirmou que a resposta cristã aos actuais problemas sociais — como a corrupção, a violência urbana e a degradação moral — passa pela vivência da santidade no quotidiano.
O Arcebispo alertou que muitos bairros “exalam o cheiro do pecado”, marcado por mentiras, roubos, assassinatos e comportamentos que ferem a dignidade humana, sublinhando que os autores da violência são, muitas vezes, “nossos filhos, sobrinhos e jovens”.
“Não basta denunciar ou mandar prender. É preciso ajudar os nossos jovens a não serem criminosos, mas filhos de Deus que vivem com dignidade e podem tornar-se santos”, afirmou.
Dirigindo-se particularmente aos membros de movimentos e associações profissionais, Dom Inácio apelou ao combate firme à corrupção, lembrando o exemplo de cristãos que deram testemunho da fé até às últimas consequências.
“Onde há mentira, levemos a verdade. Onde há roubo, defendamos o direito e o respeito pelo bem comum. Somos chamados a espalhar o agradável perfume da santidade”, disse.
Segundo o prelado, a missão dos movimentos eclesiais passa por transformar a sociedade a partir de dentro, formando consciências e promovendo valores cristãos no seio das famílias, das instituições e da vida pública. Faizal Raimo
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José Luzia
Fevereiro 1, 2026 at 12:13 pm
A retórica está certa! Mas onde estão as actividades efectivas mesmo da referida Associação Dos Professores Católicos?
Já ouviram da parte desta associação alguma palavra sobre os graves problemas com que eles se debatem sejam de natureza salarial, pedagógica ou de condições logísticas?
Nunca lhes ouvi uma palavra sequer. Mas há dias alguém me justificou essa apatia: o seu presidente está, agora, colocado algures como funcionário do governo ou coisa parecida!
Falar é fácil. Precisamos de operacionalidade….