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ECONOMIA

Ivo Garrido diz que malária só será vencida com mudança de comportamento

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O antigo ministro da Saúde, Ivo Garrido, afirmou esta quarta-feira (10), no Fórum Anual Provincial da Malária, que o combate à doença não será vencido com soluções técnicas isoladas nem com a actuação exclusiva do setor da saúde. Para ele, a resposta eficaz exige uma abordagem multissectorial e uma transformação profunda nos comportamentos das comunidades.

“É um erro pensar que o setor da saúde sozinho vai resolver o problema. Esse é um erro”, alertou, explicando que a malária está ligada à pobreza, às condições de vida e ao nível de conhecimento das famílias sobre práticas que aumentam o risco de infecção. “Se a pessoa não sabe que, se eu tiver este comportamento, vou ficar doente, não vamos avançar.”

Garrido reconheceu limitações no Serviço Nacional de Saúde, incluindo cobertura insuficiente e falta de equipamento em algumas unidades, mas destacou que estes factores não são determinantes sem o envolvimento da população. “Mesmo que o SNS chegasse à última aldeia e todas as unidades tivessem medicamentos e equipamento, se não houver mudança de comportamento, a malária não vai diminuir”, afirmou.

Para o antigo ministro, a educação sanitária deve ser tratada como prioridade nacional e responsabilidade de todo o aparelho do Estado. “É tarefa do governo — governo todo, não apenas o setor da saúde — colocar em primeiro lugar a educação do nosso povo”, disse, defendendo que literacia em saúde é tão importante quanto redes mosquiteiras, pulverização ou vacinação.

Garrido criticou também a crença de que ferramentas técnicas bastam para controlar a doença. “Se eu tiver rede mosquiteira, o assunto fica resolvido. Se fizer pulverização, fica resolvido. Se vacinar, fica resolvido. É mentira”, afirmou, insistindo na necessidade de coordenação entre educação, ambiente, saneamento, águas e comunicação social.

O antigo ministro saudou a decisão de Nampula de organizar o Fórum, classificando-a como um gesto de liderança e responsabilidade. “Nampula, sendo a mais afectada pela malária, decidiu tomar a liderança. Espero que outras províncias sigam o exemplo”, disse.

Questionado sobre a nova lei do Sistema Nacional de Saúde, Garrido preferiu não comentar. “Eu não li a lei, portanto não posso pronunciar sobre ela”, afirmou, reiterando que detalhará propostas concretas na sua apresentação final. Redacção 

 

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