ECONOMIA
Desmatamento em Nampula atinge nível crítico, alertam autoridades
A província de Nampula entrou numa fase considerada crítica pelas autoridades ambientais, que alertam para o avanço acelerado do desmatamento, queimadas descontroladas e erosão severa em várias regiões. O alerta foi lançado durante a primeira consulta pública do Plano de Reassentamento e do Estudo de Impacto Ambiental e Social do projecto de restauração paisagística e reflorestamento liderado pela Florestal Norte, que abrangerá os distritos de Lalaua, Ribáuè e Mecuburi.
O encontro reuniu representantes do governo, académicos, organizações da sociedade civil e associações comunitárias, num debate marcado pela crescente preocupação com a degradação ambiental.
Segundo Nélio Manuel, chefe do Departamento do Ambiente na Direcção Provincial de Ambiente, o projecto chega num momento “particularmente delicado” para a província.
“O nível de desmatamento é alarmante, tendo em conta os problemas ambientais actuais. Estamos em situação de queimadas descontroladas, estamos em situação de erosão,” destacou.
Para o técnico, a recuperação das áreas degradadas só terá impacto real se as comunidades forem envolvidas activamente no processo, sobretudo no plantio e protecção de espécies nativas e exóticas.
“A comunidade poderá facilitar o plantio das diversas espécies e continuar a recuperar as suas áreas degradadas,” acrescentou.
Embora reconheça desafios significativos, Nélio Manuel afirma que, nesta fase preliminar, não foram identificados riscos fatais que possam travar o projecto. Os resultados definitivos dependerão da conclusão do estudo ambiental, actualmente em curso.
Da parte da Florestal Norte, William Prado, director florestal, alertou que o ritmo actual da reposição florestal é insuficiente para acompanhar a destruição. Usou uma metáfora forte para ilustrar a dimensão do problema: “Se está a desflorestar um elefante e a plantar um rato.”
Prado sublinhou que incêndios florestais e extracção excessiva estão a reduzir drasticamente o valor ecológico das florestas remanescentes, defendendo maior mobilização social e institucional para travar a perda acelerada de vegetação.
A consulta pública continuará com recolha de contributos de diferentes sectores, antes da finalização do estudo, que servirá de base para a implementação de uma estratégia regional de restauração paisagística. José Luís
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