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OPINIÃO

  “O país que nasce nas escolas da mangueira”

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Enquanto eles estudam no exterior, nós ensinamos na chuva, Segue-se a história silenciosa de um país que cresce, mas que deixa seus filhos mais frágeis à própria sorte. Menos de 1% do orçamento do Estado é destinado ao Desenvolvimento da Primeira Infância, e tudo que envolve nossas crianças, saúde, educação, proteção, continua à margem.

Enquanto muitos deputados e ministros veem seus filhos estudarem em escolas privadas de renome ou fora do país, e recebem tratamento hospitalar de excelência, a maioria de nós continua a nascer os nossos bebés nas árvores, nas casas sem médicos, e levá-los para a escola da mangueira, onde quando chove não há aulas, e os professores ensinam pensando no salário que vai entrar, no turno e meio, nas horas extras que nunca chegam.

Em escolas de campo, como em Angoche, Larde e outros distritos, um único professor enfrenta três turmas de 80 crianças cada, de classes diferentes, dando todas as disciplinas sozinho. E mesmo assim, a criança aprende com olhos de esperança, com mãos sujas de giz e sonhos por escrever. O Estado deixa essas responsabilidades essenciais nas mãos de parceiros, como se o futuro do país não dependesse dele.

Sabem eles que uma criança bem cuidada e educada será inteligente, criativa e capaz de liderar? Sabem. Mas o orçamento continua a privilegiar mordomias, viagens, casas e carros, enquanto o futuro nasce nos campos esquecidos, nas escolas da mangueira, nas mãos das crianças que ainda não tiveram oportunidades.

As crianças que hoje não têm oportunidades, amanhã serão o país que herdaremos. Investir na primeira infância não é gasto, é legado.

Esta crónica é um apelo direto aos parlamentares: municipais, provinciais e nacionais. Aos que ocupam a Casa do Povo, a responsabilidade de garantir saúde, educação e proteção adequadas às crianças é de vocês. Não é luxo. Não é detalhe. É a fundação de um país justo, capaz e humano.

Enquanto eles estudam no exterior, nós ensinamos na chuva. Enquanto eles recebem cuidados médicos de primeira, nossas crianças esperam pelo sonho de nascer e crescer com dignidade. É tempo de mudar prioridades. É tempo de investir no futuro que nasce nos nossos campos, nas nossas escolas da mangueira, nos nossos filhos esquecidos.

 

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