ECONOMIA
Monitoria conjunta confirma avanço social da Haiyu em Moma e lança apelo à paz
O distrito de Moma foi palco, durante dois dias (22 e 23 de Outubro), de uma monitoria conjunta que avaliou os compromissos assumidos pela mineradora Haiyu no âmbito do seu plano de responsabilidade social 2022–2026. A iniciativa envolveu visitas de campo às seis comunidades abrangidas e debates em sala, culminando num balanço que aponta avanços visíveis, mas também recomendações cruciais para o futuro.
As constatações foram unânimes: escolas de construção convencional, electrificação, furos de água, centros de saúde e outras infra-estruturas de impacto directo estão a mudar a face de localidades outrora marcadas pela precariedade. “Estamos satisfeitos com aquilo que vimos. As comunidades também transmitiram esse sentimento de satisfação, e isso confirma que vale a pena o esforço conjunto”, destacou Eduardo Wazela, presidente da Plataforma Distrital das Organizações da Sociedade Civil de Moma.

Eduardo Wazela, presidente da Plataforma Distrital das Organizações da Sociedade Civil de Moma
O debate envolveu ainda membros da Assembleia Provincial, líderes comunitários e o próprio administrador distrital, que confirmaram que a empresa tem estado a cumprir os acordos estabelecidos desde 2022. Para Elcido Sadaka, membro da Terceira Comissão ligada à Agricultura e Desenvolvimento na Assembleia Provincial, a cooperação entre empresa e população deve ser fortalecida: “Se a comunidade pegar com duas mãos a empresa, e a empresa pegar também a comunidade, ambas sairão a ganhar, e o distrito beneficiará ainda mais.”

Elcido Sadaka, membro da Terceira Comissão da Assembleia Provincial de Nampula
O administrador distrital, Juma Cadria, reforçou que as transformações em curso eram, até há pouco tempo, impensáveis. “Era inimaginável que comunidades como Coropa, Briganha ou Nacalela tivessem escolas de alvenaria, electrificação ou hospitais. Hoje isso é uma realidade graças a este investimento”, sublinhou, pedindo às lideranças religiosas e comunitárias que orientem a juventude para o diálogo e para a preservação da paz social.
A advertência foi clara: manifestações violentas, muitas vezes alimentadas por manipulação política, podem comprometer a continuidade dos investimentos. “Se a empresa se sentir ameaçada, pode retirar equipamentos e procurar outro local seguro. O distrito e os jovens perderão oportunidades de emprego e acesso a melhores serviços”, avisou Cadria, sublinhando a necessidade de “acariciar” os investidores.
O balanço também destacou o papel central das lideranças religiosas no processo de sensibilização. Sendo o Islão predominante na região, os sheiks e moalimos foram chamados a assumir um papel activo na consciencialização das comunidades sobre a importância da paz, do respeito e da cooperação.
A sociedade civil, por seu lado, lembrou o seu contributo no diálogo que desbloqueou, por exemplo, o processo de electrificação de algumas comunidades. “Temos orgulho em dizer que a mediação da plataforma ajudou a alcançar conquistas que hoje são palpáveis”, afirmou Eduardo Wazela.
O encontro serviu ainda para colher recomendações técnicas. Entre elas, a necessidade de instalar corrimãos nas escolas construídas para evitar acidentes com crianças, bem como reforçar a fiscalização da qualidade das infra-estruturas, de modo a que os investimentos não apenas tragam esperança, mas também segurança às comunidades.

administrador do distrito de Moma, Juma Cadria
Do lado da Assembleia Provincial, a ênfase foi colocada na estabilidade. “Nos últimos meses assistimos a tumultos que não ajudaram em nada. Para haver desenvolvimento, comunidade e empresa devem andar de mãos dadas. Nenhuma pode ficar distante da outra, porque assim nada andará bem”, frisou Elcido Sadaka.
O representante da área de responsabilidade social da Haiyu, Augusto Basílio, recordou que o plano cobre o período de 2022 a 2026 e que a avaliação em curso visa garantir que os compromissos assumidos sejam integralmente cumpridos. “Estamos satisfeitos com os resultados já alcançados e conscientes dos desafios que restam. Este processo de monitoria permite-nos ajustar e corrigir em coordenação com as comunidades e autoridades locais”, disse.
Apesar das dificuldades operacionais típicas de um investimento desta dimensão, a empresa sublinha que o compromisso com Moma permanece uma prioridade. As comunidades já beneficiam de electrificação, furos de água e escolas, e outras obras, como unidades de saúde, deverão ser concluídas até ao próximo ano.
O administrador distrital reiterou o apelo à coesão social e à despartidarização das lideranças comunitárias. “Enquanto representantes do Estado, os líderes locais devem assumir o seu papel sem cores políticas, garantindo um ambiente que atraia mais investimentos e não afaste os que já estão em curso”, apelou.
No final, a principal recomendação aprovada pelos vários actores foi a de consolidar o diálogo permanente entre empresa, governo e comunidades. Este, sublinharam, deve ser o caminho para resolver divergências e evitar o recurso a protestos violentos, assegurando que o investimento social da Haiyu produza frutos duradouros.
O balanço encerrou com uma nota de consenso: as comunidades de Moma estão a viver uma fase de transformação social inédita, mas o futuro dos investimentos dependerá da capacidade de todos em cultivar a paz, a confiança e a cooperação mútua.
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