Connect with us

POLÍTICA

Activista alerta: diálogo nacional não pode servir para privilégios, mas para mudar o país

Publicado há

aos

O activista social e defensor de direitos humanos Sismo Eduardo defendeu que o diálogo nacional inclusivo em Moçambique só terá utilidade se deixar de ser um espaço para a preservação de privilégios das elites políticas e passar a constituir um verdadeiro instrumento de transformação. Para ele, o processo actual continua a ignorar as queixas das vítimas de violência política e a tolerar práticas de corrupção.

“Não faz sentido falar de diálogo enquanto o país sangra”

Eduardo considerou contraditório falar em reconciliação num contexto marcado por sequestros, assassinatos e violações de direitos humanos. “É um entretenimento para os moçambicanos, feito para dar a impressão de pacificação. Não faz sentido falarmos de diálogo enquanto há sangue a ser derramado e cidadãos a morrer”, afirmou.

Necessidade de soluções práticas e não promessas

O activista apontou a falta de resultados concretos como uma das maiores fragilidades do processo. “Há muitas promessas, mas o que queremos são actos práticos que conduzam à reconciliação nacional. Promessas não alimentam famílias, nem resolvem os problemas do povo”, disse. Na sua visão, a comissão encarregada deveria apresentar soluções claras em vez de limitar-se a discursos sem consequência.

Exclusão e falta de verdadeira inclusão

Embora seja designado de diálogo nacional, Eduardo entende que o processo não é inclusivo. Argumenta que os partidos da oposição também contribuem para a exclusão ao não conseguirem harmonizar posições nem integrar vozes críticas. “O processo é apenas um grupo de indivíduos a disputar espaço e privilégios”, afirmou Sismo Eduardo. Para ele, seria fundamental abrir espaço a cidadãos comuns, como camponeses e trabalhadores, que conhecem a realidade do povo, em vez de privilegiar políticos ligados a escândalos de corrupção e violações de direitos humanos.

Clima político fragilizado pela falta de confiança

O activista destacou que a credibilidade do diálogo depende da confiança entre os actores políticos, algo que considera inexistente. “Não há reconciliação possível enquanto líderes partidários são recebidos com gás lacrimogéneo e continuam a perseguir uns aos outros”, afirmou. Eduardo acrescentou que a desunião da oposição e a postura de exclusão apenas fragilizam ainda mais o processo, tornando difícil oferecer ao país uma reconciliação verdadeira. Redacção 

 

 

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Lidas