ECONOMIA
Lalaua: ponte destruída obriga população a percorrer até 330 km, contra apenas 80 para ligar-se a Ribáuè
O Secretário de Estado da província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, visitou esta quarta-feira (10) o distrito de Lalaua, uma das zonas que continua a sentir, entre várias, o impacto do ciclone Jude, que destruiu a ponte que fazia a ligação directa ao distrito vizinho de Ribáuè, numa distância de apenas 80 quilómetros.
A ausência dessa infra-estrutura obriga a população a percorrer entre 270 e 33o quilómetros para alcançar Ribáuè, transformando um trajecto que antes era feito em poucas horas numa verdadeira maratona.
Durante a visita, os residentes confrontaram o Secretário de Estado com as dificuldades crescentes de mobilidade e de acesso a bens essenciais.
O Administrador do distrito de Lalaua, Silvério João Nauaito, manifestou a sua preocupação com a aproximação da época chuvosa. Segundo disse, o distrito poderá enfrentar sérias dificuldades de abastecimento caso não seja encontrada rapidamente uma solução. “Tememos ficar completamente isolados quando as chuvas começarem. É urgente que esta ponte seja reposta ou que se criem alternativas viáveis”, alertou.
Plácido Pereira reconheceu a gravidade da situação, afirmando que Lalaua enfrenta “problemas sérios de acesso” que tendem a agravar-se com o início das chuvas. O dirigente sublinhou que a Administração Nacional de Estradas (ANE) já realizou um primeiro levantamento, mas será necessário um novo estudo para avaliar soluções técnicas, incluindo a remoção e substituição de tabuleiros danificados.

Secretário de Estado da província de Nampula, Plácido Nerino Pereira
O governante explicou que a curva do rio que atravessa a zona representa um desafio adicional, uma vez que as enchentes atingem directamente o encosto da ponte. “Foram-me explicadas algumas medidas de engenharia, como a criação de zonas de escoamento de água. Mas é um trabalho que exige análise detalhada e mobilização de recursos”, afirmou.
Apesar de reconhecer a urgência, o Secretário de Estado advertiu que a ponte dificilmente será reparada antes do início da época chuvosa. “Não é só Lalaua que enfrenta este problema. Existem cinco ou seis distritos na mesma situação. A solução dependerá da priorização no quadro nacional e da disponibilidade de fundos”, disse, acrescentando que os tabuleiros necessários nem sequer são produzidos em Moçambique, mas importados da Inglaterra.
Pereira concluiu reiterando que a reparação da ponte de Lalaua será tratada com a ANE a nível central, no âmbito do Plano Económico e Social do Governo. No entanto, sublinhou que, num país com múltiplos desafios de infra-estrutura, será necessário gerir prioridades e recursos com equilíbrio. “O objectivo final é reparar todas as estradas e todas as pontes do país, mas isso só será possível de forma faseada”, enfatizou. Faizal Raimo
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Domingos Castelo César
Setembro 12, 2025 at 5:43 am
Uma inequívoca informação que o Distrito de Lalaua não é prioridade. Sentimental isto.