OPINIÃO
“Não Basta Libertar o País, É Preciso Libertar o Povo”
Samora Machel disse um dia: “Não basta libertar o país; é preciso libertar o povo.” Essas palavras continuam a ser um murro na cara da nossa realidade. O país foi libertado em 1975, sim, mas o povo continua amarrado: amarrado na pobreza, no desemprego, na corrupção e no medo. Muitos governantes brincam com a paciência popular, como se fôssemos marionetas que só se mexem quando alguém puxa o fio.
Hoje, em Nampula, vimos um sinal diferente. Um clarão que mostrou que, quando o povo quer, pode aplaudir sem ser mandado, pode dançar sem ser arrastado, pode marchar sem precisar da camisola de partido. O que aconteceu hoje nas ruas da cidade de Nampula não foi teatro, não foi espetáculo armado pelas ligas partidárias. Foi o povo Macua que decidiu receber o seu Governador Eduardo Mariamo Abdula com uma Marcha, celebrando os prémios conquistados na FACIM 2025.
E é aqui que está o peso das palavras de Samora: o povo não quer só independência no papel, quer independência na barriga, na inclusão, na dignidade. Hoje, os Macuas mostraram que sabem aplaudir quando há motivo, e não quando recebem ordem.
Se fosse como no passado, teríamos visto a OJM, a Liga da Juventude, a Liga Feminina, ou a OMM a carregar bandeiras e slogans, fingindo alegria ensaiada. Mas não, hoje a marcha foi diferente. Foi espontânea. Foi verdadeira. Foi do coração. E quando o povo sente-se livre para manifestar alegria sem medo, aí sim podemos falar de libertação do povo.
É preciso dizer a verdade: muitos governadores passam pelos seus cargos sem deixar memória, sem mexer com o povo, apenas preocupados em agradar os chefes. Mas hoje, o povo de Nampula mostrou que quando um líder faz algo que se sente, a resposta vem natural. Não foi preciso mandar ninguém, não foi preciso distribuir refresco nem prometer 20 meticais de combustível. Foi o povo a reconhecer.
Parabéns, Governador Abdula. Não apenas pelos prémios da FACIM, mas por ter conseguido algo muito maior: colocar o povo de Nampula acima das cores políticas. Isso é raro, isso é ouro, isso é libertação.
Mas também deixo o aviso ao Governador Abdula: cuidado! Porque hoje o povo marchou com alegria, mas amanhã pode marchar com revolta, se não sentir mudanças concretas. A mesma multidão que te recebeu no aeroporto pode ser a mesma que vai encher as ruas para exigir escolas decentes, hospitais com medicamentos, estradas transitáveis e empregos para os jovens. O povo já não vive de discursos, o povo quer dignidade.
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