SOCIEDADE
Dom Inácio Saúre: “Não bastará resolver o assassinato de Dom Osório”
Arcebispo de Nampula defende combate às causas da violência e pede o fim dos assassinatos de cidadãos de bem em Moçambique.
O Arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúre, defendeu este sábado que o esclarecimento do assassinato de Dom Osório Citora Afonso deve ser acompanhado de medidas concretas para travar a onda de violência que tem ceifado vidas no país.
Falando durante a homilia da missa exequial que se realiza neste momento em Nampula, Dom Inácio afirmou que a morte do Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira não constitui um caso isolado, mas insere-se num cenário mais amplo de assassinatos que afectam Moçambique e comprometem a imagem do país.
“Não bastará só resolver o caso do assassinato de Dom Osório. É imperioso resolver o problema pela raiz”, Declarou o prelado perante milhares de fiéis, autoridades governamentais, incluindo o Presidente da República, membros do clero e representantes de diversas confissões religiosas.
Na sua homilia, o arcebispo manifestou indignação perante a violência que atinge cidadãos que trabalham pela paz e pelo bem comum. Num dos momentos mais marcantes da celebração, apelou ao fim dos assassinatos no país. “Pare imediatamente. Pare imediatamente de matar os homens de bem e de paz”, exortou.
Dom Inácio Saúre considerou que o assassinato de Dom Osório se enquadra numa “vergonhosa série de assassinatos” que continua a atingir o país, defendendo que cada vida humana deve ser protegida e respeitada por constituir um dom de Deus. Para o líder católico, reduzir as vítimas a números estatísticos representa ignorar a sua dignidade e humanidade.
Ao recordar a vida e o ministério de Dom Osório, descreveu-o como um pastor que assumiu plenamente a missão de servir a Igreja e o povo, mesmo perante dificuldades. Segundo afirmou, o falecido bispo compreendia que o sacerdócio implicava entrega total ao próximo e acabou por dar a própria vida sem jamais procurar o martírio.
O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique aproveitou ainda a ocasião para defender que o legado de Dom Osório deve ser preservado através da promoção da paz, da justiça e da reconciliação, manifestando a esperança de que o seu assassinato represente um ponto de viragem no combate à violência e à criminalidade no país.
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