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OPINIÃO

O Futuro não se extrai das Minas: Constrói-se nas Escolas e Universidades

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Há estradas que ligam cidades, pontes que unem margens e edifícios que marcam paisagens. Mas existe uma construção muito mais importante para o desenvolvimento de um país: a formação das pessoas. Nenhuma nação alcançou níveis elevados de prosperidade, inovação, estabilidade social e crescimento económico sem investir seriamente na educação. A história do desenvolvimento humano demonstra, de forma inequívoca, que os países mais avançados são aqueles que compreenderam que o seu maior recurso não está no subsolo, nos rios, nas florestas ou nos minerais, mas sim no potencial intelectual e criativo dos seus cidadãos.

Quando se fala de desenvolvimento, muitas vezes a atenção concentra-se em indicadores económicos, infraestruturas ou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Contudo, o verdadeiro desenvolvimento humano vai muito além dos números. Ele mede-se pela capacidade das pessoas viverem vidas longas, saudáveis, produtivas e dignas. E para que isso aconteça, a educação assume um papel central. É através dela que os indivíduos desenvolvem competências, adquirem conhecimentos, constroem valores e ampliam as suas oportunidades de participação na vida económica, social, cultural e política.

Uma educação de qualidade não é apenas aquela que transmite conteúdos académicos. É aquela que forma cidadãos críticos, éticos, inovadores e preparados para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais complexo e competitivo. Num contexto marcado pela revolução digital, pela inteligência artificial, pelas mudanças climáticas e pelas rápidas transformações do mercado de trabalho, os sistemas educativos já não podem limitar-se à reprodução de conhecimentos. Precisam de desenvolver capacidades de resolução de problemas, pensamento crítico, criatividade, colaboração e aprendizagem ao longo da vida.

Os países que hoje lideram os índices de desenvolvimento humano compreenderam esta realidade há muito tempo. Investiram na valorização dos professores, na expansão do acesso à educação, na melhoria das condições de aprendizagem, na investigação científica e na inovação tecnológica. Como resultado, construíram sociedades mais produtivas, mais inclusivas e mais resilientes. A correlação entre educação de qualidade e desenvolvimento humano não é uma coincidência – é uma relação de causa e efeito amplamente demonstrada pela evidência científica.

Em Moçambique, apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas em termos de expansão do acesso à educação, persistem desafios significativos relacionados com a qualidade do ensino, a formação de professores, as infraestruturas escolares, a retenção dos estudantes e a adequação da formação às necessidades do mercado de trabalho e da sociedade. Estes desafios exigem respostas estruturais e investimentos consistentes. Não basta garantir que as crianças e jovens estejam na escola, é fundamental assegurar que aprendam efetivamente e desenvolvam competências relevantes para a sua vida e para o desenvolvimento do país.

Neste contexto, as universidades assumem uma responsabilidade estratégica. Muito além da formação de profissionais, as instituições de ensino superior são centros de produção de conhecimento, inovação e pensamento crítico. São espaços onde se formam os líderes, investigadores, empreendedores, professores, gestores e técnicos que irão influenciar os rumos do desenvolvimento nacional.

Uma universidade forte não se limita a transmitir conhecimentos existentes, ela produz novos conhecimentos. Através da investigação científica, contribui para encontrar soluções para os problemas concretos da sociedade. Questões relacionadas com a agricultura, saúde, educação, energia, ambiente, governação, segurança alimentar ou desenvolvimento económico podem e devem beneficiar do conhecimento produzido nas universidades. Quando a investigação científica responde aos desafios reais do país, a universidade transforma-se num verdadeiro motor de desenvolvimento.

Além disso, as universidades desempenham um papel fundamental na formação de uma cidadania consciente e participativa. Uma sociedade democrática e inclusiva depende de cidadãos capazes de analisar criticamente a realidade, distinguir factos de desinformação e participar de forma responsável nos processos de tomada de decisão. Numa época em que as fake news circulam com enorme velocidade e em que o conhecimento é constantemente desafiado por informações falsas, o papel das universidades como guardiãs da ciência e da verdade torna-se ainda mais relevante.

Entretanto, para que as universidades possam cumprir plenamente a sua missão, é indispensável que sejam alvo de um investimento estratégico, consistente e de longo prazo. Isso implica fortalecer a investigação científica, modernizar laboratórios, expandir e actualizar bibliotecas, promover a internacionalização, estimular a inovação e a transferência de conhecimento, incentivar a publicação científica e garantir condições adequadas de trabalho e aprendizagem para docentes, investigadores e estudantes. Igualmente importante é a implementação de iniciativas estruturantes ao mais alto nível do Estado, incluindo verdadeiras “Iniciativas Presidenciais” voltadas para a requalificação, expansão e modernização das infraestruturas universitárias. Investir em universidades modernas, equipadas e capazes de responder aos desafios contemporâneos não constitui apenas um compromisso com o ensino superior, mas uma aposta estratégica no desenvolvimento humano, na competitividade nacional e na construção de um futuro mais próspero para o país. Afinal, uma universidade sem recursos dificilmente conseguirá produzir o conhecimento, a inovação e os profissionais de excelência de que a nação necessita para acelerar o seu desenvolvimento.

Importa igualmente reconhecer que a educação não deve ser vista como uma despesa, mas como um investimento de longo prazo (assim disse o Presidente Lula). Os benefícios de uma educação de qualidade podem não ser imediatamente visíveis, mas produzem impactos profundos e duradouros. Cada metical investido na educação representa mais produtividade, mais inovação, mais emprego, mais saúde, mais cidadania e maior capacidade de enfrentar os desafios futuros.

O desenvolvimento humano de um país não acontece por acaso. É resultado de escolhas políticas, prioridades sociais e investimentos sustentados. Entre todas as escolhas possíveis, poucas são tão decisivas quanto investir na educação. Um país pode possuir abundantes recursos naturais e continuar pobre, mas dificilmente permanecerá pobre se investir seriamente na formação do seu capital humano.

A verdadeira riqueza das nações não se mede apenas pelos seus recursos materiais, mas sobretudo pela qualidade das pessoas que as constroem. E essa qualidade nasce, cresce e fortalece-se através da educação. É por isso que o futuro de qualquer país começa sempre numa sala de aula, mas ganha dimensão e impacto nos laboratórios, bibliotecas e centros de investigação das suas universidades. Investir na educação de qualidade e fortalecer as universidades não é apenas uma opção política, é uma condição indispensável para construir uma sociedade mais justa, desenvolvida e preparada para o futuro.

Até breve!!!

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