SOCIEDADE
Uniões prematuras continuam subnotificadas em Nampula
A Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social de Nampula alerta que o número de denúncias de uniões prematuras continua muito abaixo da realidade vivida nas comunidades, situação que está a dificultar o combate ao fenómeno e a protecção das menores vítimas.
Segundo Francisco Saraiva, chefe do Departamento de Estudos e Planificação da instituição, apenas 76 casos foram registados no primeiro trimestre deste ano. Ainda assim, as autoridades acreditam que os números reais são superiores devido à subnotificação e ao silêncio de muitas famílias.
“Os números que temos não correspondem à realidade das comunidades. Há muitos casos que não chegam a ser denunciados. Muitas vezes, quando identificamos a situação, as famílias acabam por retirar o casal para outro distrito”, afirmou Francisco Saraiva.
As autoridades apontam a pobreza, a vulnerabilidade económica e o abandono escolar como alguns dos principais factores que favorecem as uniões prematuras. Lalaua, Mogincual e Monapo continuam entre os distritos com maior incidência destes casos na província.
Apesar dos desafios, cerca de 226 crianças vítimas de uniões prematuras foram reintegradas no sistema de ensino este ano. O sector diz estar a reforçar campanhas de sensibilização comunitária, debates radiofónicos e o trabalho dos comités locais de protecção à criança para incentivar denúncias e prevenir novos casos.
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