ECONOMIA
Vendedores do Mercado Belenenses ameaçam greve por falta de condições sanitárias
Os vendedores do Mercado Belenenses, na cidade de Nampula, ameaçam entrar em greve nos próximos dias caso o município continue a ignorar os apelos para a melhoria das condições sanitárias e de segurança no local. Produtos da primeira necessidade como tomate, cebola e peixe fresco continuam a ser comercializados debaixo de lama, junto a valas de drenagem entupidas de lixo e rodeados de águas estagnadas.
Apesar de pagarem uma taxa diária de 10 meticais ao Conselho Municipal, os vendedores dizem não ver qualquer retorno em termos de limpeza, ordenamento ou segurança. “Este mercado não está em condições. Lá atrás está cheio de lixo, e até aqui à frente está tudo mal. A limpeza não é eficaz e o lixo acumula-se por dias”, lamenta Mussa Amisse, vendedor de hortícolas.
O ambiente insalubre está a afugentar os clientes, agravando a crise dos pequenos comerciantes. “A clientela está a diminuir porque ninguém quer comprar produtos em locais tão sujos. Nós pagamos taxa todos os dias, mas o mercado continua abandonado”, denuncia Carlos Agostinho, que também reclama da ausência de casas de banho e de um posto policial. “Há marginais que atacam os clientes. Temos de fechar antes das 17 horas por medo.”
A situação torna-se ainda mais crítica para os vendedores de peixe fresco, que se dizem os mais prejudicados. “Estamos a vender o peixe na lama, em cima de sujidade. Isso afecta a nossa saúde e afasta os clientes. Queremos que o município pavimente este espaço e organize o mercado como prometeu”, apela Benildo Antônio Aiuba.
Segundo os comerciantes, as autoridades municipais haviam prometido melhorias há três meses, após uma mudança de área de venda. “Disseram-nos para mudarmos e que logo iriam intervir, mas até agora nada foi feito”, acrescenta Benildo.
A revolta dos vendedores agravou-se depois de o município ter lançado pedra no local, prometendo a construção de um mercado de raiz. No entanto, passados vários meses, nenhuma obra teve início, o que os comerciantes consideram um sinal de abandono. “Parece que só nos tiraram de onde estávamos para fingir organização, mas aqui não há condições. Sinto-me injustiçado”, lamenta um vendedor.
Michael Antônio, gestor do Mercado Belenenses, confirma o descontentamento dos comerciantes e afirma ter já comunicado o problema ao Conselho Municipal. “Levámos a preocupação ao município e pedimos que enviassem pedra para tapar a lama, mas até agora não houve qualquer reacção. Os vendedores estão fartos e ameaçam greve”, alerta.
O gestor pede intervenção urgente antes que a situação saia do controlo. “Apelamos aos chefes que tragam material para melhorar este espaço. Se não o fizerem, os vendedores vão abandonar o mercado e voltar a vender nas ruas. Eles estão a pagar as taxas, mas o mercado continua sem condições.”
Enquanto isso, o risco de doenças aumenta, e o ambiente de negócio deteriora-se num dos principais centros informais de abastecimento alimentar da cidade de Nampula. Zeferino Jumito
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