SOCIEDADE
Vendedores informais travam obras na avenida Paulo Samuel Kankomba — autarquia pondera interditar algumas zonas
A requalificação da avenida Paulo Samuel Kankomba, uma das principais vias da cidade de Nampula, está a ser comprometida pela presença de vendedores informais, que se recusam a abandonar o local, segundo denunciou o presidente do Conselho Municipal, Luís Giquira.
Durante uma visita de monitoria às obras em curso na cidade, o edil apontou o troço próximo ao Mercado Novo como o mais problemático, afirmando que a convivência entre a empreitada e o comércio informal está a tornar-se insustentável. “A maior preocupação são os nossos irmãos do sector informal, que continuam a ocupar as bermas. Como é que se pode trabalhar com vendedores a cercar a estrada e a ameaçar os empreiteiros?”, questionou Giquira, visivelmente frustrado com os constrangimentos no terreno.
De acordo com o edil, o ambiente hostil tem levado a episódios de intimidação contra os trabalhadores. “Os nossos empreiteiros já foram agredidos, recebem ameaças, e isso está a atrasar o cronograma. Nós temos um plano de concluir esta avenida ainda este ano, mas só será possível se esta zona for libertada”, alertou.
Apesar das dificuldades, Giquira garantiu que o município não pretende tirar o sustento aos vendedores. “Não queremos tirar o pão de ninguém. O que queremos é espaço para trabalhar. Depois das obras, vamos procurar um local apropriado para os acolher. Mas neste momento, o apelo é à colaboração”, esclareceu.
Perante o impasse, o edil anunciou a intenção de reunir-se com os representantes dos mercados e dos vendedores informais, para negociar uma solução pacífica. “Infelizmente, se não houver entendimento, seremos forçados a interditar a zona. Precisamos entregar estas obras à população e só o conseguiremos com ordem e cooperação”, frisou.
Apesar dos atrasos, o presidente da autarquia manifestou satisfação com o andamento geral das obras na cidade. “Visitei vários pontos e estou satisfeito com o ritmo. Onde há espaço, os trabalhos estão a avançar bem. Só queremos que essa mesma fluidez seja possível aqui também”, concluiu. Isabel Abdala